Sexta, 17 de Julho de 2026

Ninguém tem vaga garantida: nova regra eleitoral implode favoritismo e transforma disputa por Brasília em guerra política em MS

Convenções acirram disputa que pode mudar a bancada federal de Mato Grosso do Sul

17/07/2026 às 14h15
Por: Tatiana Lemes
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Foto: Reprodução
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A pré-campanha eleitoral em Mato Grosso do Sul entrou definitivamente na fase de fogo cruzado. Faltando poucos dias para o início das convenções partidárias, o ambiente nos bastidores é de intensa negociação, cálculos eleitorais e disputas internas. A nova legislação eleitoral embaralhou o jogo, reduziu a vantagem dos grandes partidos e abriu espaço para legendas menores, tornando imprevisível a corrida pelas oito cadeiras do Estado na Câmara dos Deputados.

O recado das lideranças é claro: desta vez, ninguém entra na eleição com a reeleição assegurada. A expectativa é de uma disputa voto a voto, em que cada legenda precisará montar chapas competitivas para sobreviver à nova matemática eleitoral.

A conta mudou e ameaça os grandes partidos

Até a eleição passada, os maiores partidos praticamente dominavam a distribuição das vagas. Agora, a flexibilização das regras para participação na distribuição das sobras tornou o cenário muito mais competitivo.

Na prática, partidos médios podem conquistar uma cadeira sem alcançar a votação que antes era exigida, reduzindo o espaço das grandes federações. Isso coloca em risco o plano do PL e da Federação União Progressista (União Brasil e PP), que sonham em eleger três deputados federais cada, mas dependem diretamente de um tropeço dos adversários para alcançar esse objetivo.

Enquanto isso, PT e Republicanos trabalham com uma estratégia mais realista: atingir cerca de 250 mil votos para assegurar duas vagas cada. Caso consigam cumprir essa meta, o espaço para uma terceira cadeira das maiores legendas praticamente desaparece.

O efeito pode ser devastador para quem hoje ocupa mandato. Parlamentares que em outras eleições apareciam como favoritos agora terão de disputar voto dentro da própria chapa e contra adversários fortalecidos pela nova legislação.

Bancadas podem sofrer forte renovação

O risco de renovação é considerado alto.

Na Federação União Progressista, por exemplo, três deputados federais buscam permanecer em Brasília enquanto novos nomes entram na disputa, aumentando a concorrência interna.

No Republicanos, a chegada de Beto Pereira fortaleceu uma chapa que ainda reúne Roberto Hashioka, Isa Marcondes, Neto Santos e Jaime Verruck, tornando o partido um dos principais protagonistas da eleição proporcional.

Já o PT aposta na transferência do capital político de Vander Loubet — agora candidato ao Senado — para uma chapa liderada por Marquinhos Trad, na tentativa de manter duas cadeiras na Câmara.

Até mesmo o PSDB, que perdeu todos os deputados federais durante a janela partidária, voltou ao jogo graças às mudanças nas regras eleitorais e acredita que pode surpreender conquistando uma vaga.

Convenções vão definir o tamanho de cada força política

As convenções partidárias marcarão o início oficial da disputa.

No dia 1º de agosto, PL, Federação União Progressista, Republicanos, MDB e Avante oficializam seus candidatos dentro da base do governador Eduardo Riedel.

O PT fará sua convenção em 26 de julho, quando deverá confirmar Fábio Trad como candidato ao Governo e Vander Loubet ao Senado.

O PSDB antecipará uma reunião interna para fechar suas chapas antes do grande ato político da base governista, enquanto o Novo encerra o calendário em 5 de agosto com João Henrique Catan na disputa pelo Executivo estadual.

Senado continua cercado de incertezas

Se a Câmara já vive uma disputa intensa, o Senado continua sendo palco de indefinições.

No PL, o impasse entre Capitão Contar e Marcos Pollon permanece sem solução definitiva. A expectativa é de que a decisão seja anunciada na convenção do partido, embora os bastidores indiquem vantagem para Contar.

Do outro lado, Soraya Thronicke recusou integrar a chapa de Vander Loubet como suplente e confirmou que disputará a própria reeleição, ampliando a fragmentação da corrida pelas duas vagas ao Senado.

Delcídio mantém suspense

Outro fator de incerteza envolve a federação PRD/Solidariedade.

O ex-senador Delcídio do Amaral condicionou a participação do grupo nas eleições ao compromisso da direção nacional com o financiamento das campanhas. Caso os recursos não sejam garantidos, a federação poderá simplesmente ficar fora da disputa estadual, alterando novamente o equilíbrio entre as chapas proporcionais.

Bastidores prometem mais disputa do que os palanques

Se nas ruas a campanha ainda nem começou oficialmente, nos bastidores a disputa já é intensa.

A definição das chapas, as negociações por espaço político e o impacto das novas regras eleitorais transformaram a eleição de 2026 em uma das mais imprevisíveis das últimas décadas em Mato Grosso do Sul. Pela primeira vez em muitos anos, a maior ameaça aos atuais deputados pode não estar apenas nos adversários, mas dentro das próprias chapas que ajudaram a construir.

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