Sexta, 17 de Julho de 2026

Tarifaço dos EUA coloca Lula diante de um dilema: reagir com firmeza ou evitar um novo choque na economia

Com sobretaxa de 25% prestes a entrar em vigor, governo adia resposta imediata, teme impactos sobre exportações e já trabalha com a possibilidade de uma nova tarifa de 12,5% imposta pelos Estados Unidos

17/07/2026 às 15h15
Por: Tatiana Lemes
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Tarifaço dos EUA coloca Lula diante de um dilema: reagir com firmeza ou evitar um novo choque na economia

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta um dos momentos mais delicados de sua política externa e comercial desde o início do mandato. Após os Estados Unidos confirmarem uma tarifa de 25% sobre parte das exportações brasileiras, o Planalto passou a adotar um discurso de cautela, mesmo tendo regulamentado a Lei da Reciprocidade para responder a medidas consideradas unilaterais.

Nos bastidores, a avaliação é que uma reação precipitada pode desencadear uma escalada comercial, elevar custos para empresas brasileiras e ampliar os prejuízos econômicos. Por isso, apesar da pressão política para uma resposta firme, Lula determinou que qualquer contramedida seja cuidadosamente estudada antes de entrar em vigor.

A nova tarifa norte-americana começa a valer em 22 de julho e atingirá aproximadamente 18% das exportações brasileiras para os Estados Unidos, o equivalente a cerca de US$ 7,2 bilhões em vendas anuais. Entre os produtos afetados estão etanol, açúcar, máquinas agrícolas, calçados, vestuário, papel e produtos químicos, enquanto cerca de dois mil itens ficaram fora da lista anunciada por Washington.

A medida foi adotada após investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que acusa o Brasil de práticas comerciais consideradas desleais em temas como comércio digital, propriedade intelectual, etanol, combate à corrupção e desmatamento ilegal. O governo brasileiro rejeita essas justificativas e sustenta que a decisão possui forte componente político.

O impasse, entretanto, pode estar longe do fim.

O Planalto trabalha com a expectativa de que os Estados Unidos concluam uma segunda investigação sobre supostas falhas no combate ao trabalho forçado, que poderá resultar em uma nova tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros. Integrantes do governo avaliam que essa nova ameaça aumenta a necessidade de manter aberta a negociação diplomática antes de recorrer integralmente à Lei da Reciprocidade.

Enquanto isso, o governo reforçou o Plano Brasil Soberano, criado para apoiar empresas afetadas pelo tarifaço, e aposta na diversificação de mercados como estratégia para reduzir a dependência do mercado norte-americano. Segundo a ApexBrasil, mais de 70% das empresas exportadoras já ampliaram seus destinos comerciais, especialmente para países da Ásia e outros parceiros internacionais.

O desafio para o governo é equilibrar dois objetivos que caminham em direções opostas: demonstrar firmeza diante das medidas adotadas pelos Estados Unidos sem provocar uma guerra comercial que possa ampliar os prejuízos para a indústria, o agronegócio e os exportadores brasileiros.

Com a tarifa de 25% prestes a entrar em vigor e uma nova sobretaxa ainda em análise pelas autoridades norte-americanas, a estratégia de Brasília passa a ser ganhar tempo, preservar canais de negociação e evitar decisões que possam agravar um conflito comercial de consequências ainda imprevisívei.

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