
A reta final das convenções partidárias intensificou as articulações políticas em Mato Grosso do Sul e promete definir, nos próximos dias, o desenho definitivo da disputa eleitoral de 2026. Enquanto a federação União Progressista (PP e União Brasil) caminha para adotar uma posição de neutralidade na corrida ao Palácio do Planalto, nos estados a realidade segue sendo moldada pelos acordos regionais, e Mato Grosso do Sul é um dos principais exemplos desse movimento.
Embora o PP deva liberar seus diretórios estaduais para apoiarem os candidatos presidenciais de sua preferência, a tendência é que o governador e pré-candidato à reeleição Eduardo Riedel (PP) mantenha a aliança construída com o PL e continue no palanque de Flávio Bolsonaro no Estado. A composição faz parte do acordo político firmado entre Jair Bolsonaro e o ex-governador Reinaldo Azambuja, que resultou na migração de Reinaldo para o PL e consolidou uma parceria para a sucessão estadual.
Esse entendimento político nasceu ainda nas eleições municipais de 2024. Na ocasião, Jair Bolsonaro retirou o apoio à então candidata Adriane Lopes (PP) e à senadora Tereza Cristina (PP), passando a apoiar Beto Pereira, atendendo a um pedido de Reinaldo Azambuja. Em contrapartida, Reinaldo assumiu o compromisso de reorganizar o PL em Mato Grosso do Sul.
Mesmo com a derrota de Beto Pereira na eleição municipal, o acordo foi mantido. Reinaldo acabou deixando o PSDB para ingressar no PL, movimento que lhe garantiu espaço para disputar uma vaga ao Senado e fortaleceu a aliança com o grupo bolsonarista visando à reeleição de Eduardo Riedel.
Hoje, Riedel e Reinaldo já aparecem como os principais nomes da chapa majoritária da coligação. Falta apenas a definição do segundo candidato ao Senado apoiado pelo grupo. A disputa permanece aberta entre o deputado Capitão Contar, considerado favorito por integrantes do PL, e o deputado Marcos Pollon, que ainda aposta no apoio da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro para reverter o cenário. A convenção conjunta entre PP e PL está marcada para o dia 1º de agosto.
Outro ponto que ainda movimenta os bastidores é a definição dos suplentes ao Senado.
Reinaldo Azambuja é quem aparece mais próximo de concluir a composição. Nos bastidores, aliados tratam como praticamente certo o nome do ex-secretário estadual de Fazenda Felipe Mattos para a primeira suplência. A segunda vaga ainda está em negociação, podendo ficar com o ex-diretor do Sebrae Cláudio Mendonça ou com uma mulher.
Do lado da Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), o deputado Vander Loubet também mantém indefinição. Após perder o apoio do empresário Maurício Bunlai e ver frustradas outras negociações, como as conversas com Soraya Thronicke e o vereador Carlão, novos nomes seguem sendo avaliados.
A própria senadora Soraya Thronicke ainda não anunciou seus suplentes e afirma que a decisão será tomada entre uma lista de seis nomes. Já o senador Nelsinho Trad (PSD) também deixou a definição para os próximos dias, aguardando deliberações nacionais do partido.
Até o momento, apenas o Agir concluiu integralmente sua composição para o Senado, oficializando Daniel Rodrigues Júnior como candidato, tendo Alessandro Garcia e Luciene da Silva como suplentes.
Além das indefinições no PL, Reinaldo Azambuja enfrenta dificuldades para manter unida a base aliada.
O Republicanos vive uma crise interna provocada principalmente pela insatisfação de pré-candidatos a deputado federal com a estrutura financeira destinada à campanha.
O ex-prefeito Roberto Hashioka chegou a anunciar desistência, embora tenha sinalizado posteriormente que ainda avalia permanecer na disputa. A vereadora Isa Marcondes também cobra uma reunião direta com Reinaldo antes da convenção.
Nos bastidores, a principal reclamação é a falta de garantia de recursos do fundo eleitoral. Os pré-candidatos afirmam que não pretendem disputar apenas para fortalecer a votação de Beto Pereira, presidente estadual da legenda.
Enquanto isso, Coronel Isaías Bittencourt também condiciona sua permanência na chapa às definições sobre a estrutura de campanha.
Nem mesmo dentro do PL as pendências foram resolvidas.
Marcos Pollon continua resistindo em abrir mão da disputa pelo Senado e mantém esperança de receber apoio de Michelle Bolsonaro.
A indefinição também afeta a montagem da chapa proporcional para deputado federal. A expectativa inicial era eleger três parlamentares, mas, diante das dificuldades, dirigentes já admitem que a meta pode ser reduzida.
Nesse contexto, Reinaldo Azambuja convidou Coronel David para trocar a candidatura a deputado estadual por uma vaga na disputa federal, proposta que ainda aguarda resposta.
Enquanto a centro-direita tenta resolver seus impasses internos, a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) e o PSB realizam neste domingo (26) a convenção que oficializará Fábio Trad como candidato ao Governo do Estado, tendo Dona Gilda como vice.
O evento também confirmará Vander Loubet (PT) e Soraya Thronicke (PSB) como candidatos ao Senado, além de nove postulantes à Câmara Federal e 28 candidatos à Assembleia Legislativa.
A convenção contará com a presença do ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, representando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além do secretário-geral do PT, Henrique Fontana. A expectativa é de que o Podemos também oficialize apoio à coligação.
O PSOL realiza sua convenção estadual neste sábado (25), em Campo Grande.
O partido confirmará Lucien Rezende como candidato ao Governo de Mato Grosso do Sul, Kaelly Virginia de Oliveira Saraiva como candidata a vice-governadora e Beto do Movimento para o Senado.
A legenda também apresentará cerca de 20 candidaturas proporcionais e reafirmará apoio à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição.
Com convenções marcadas até o início de agosto, o cenário político sul-mato-grossense entra em sua fase decisiva. Além da definição das chapas majoritárias, os próximos dias serão determinantes para solucionar disputas internas, consolidar alianças e estruturar as campanhas que disputarão o voto dos eleitores em outubro.