
O tabuleiro político de Mato Grosso do Sul entrou em ebulição com a abertura das convenções partidárias. PT, PL, MDB, PSD, PSOL, Podemos, PDT, PSB, Republicanos, União Brasil, PP, Novo, DC, Agir e até a federação PRD/Solidariedade intensificaram negociações que vão muito além da escolha dos candidatos ao governo. O foco agora é a construção de alianças, o tempo de rádio e televisão, a disputa pelas duas vagas ao Senado e a montagem das chapas para Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa.
O maior bloco continua sendo o liderado pelo governador Eduardo Riedel (PP), que busca a reeleição apoiado pela federação PP/União Brasil e por PL, MDB, Republicanos, PSDB e Avante. Os partidos aliados realizarão convenção conjunta em 1º de agosto para homologar a chapa majoritária e consolidar uma das maiores alianças estaduais do país.
Do outro lado, a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) oficializou Fábio Trad ao governo e ampliou conversas com PSB, PDT e Podemos, numa tentativa de fortalecer o palanque de oposição e aumentar a fatia do horário eleitoral gratuito. A candidatura foi aprovada na convenção da federação realizada em Campo Grande.
O PDT confirmou apoio à chapa petista seguindo orientação nacional, enquanto o Podemos segue como peça estratégica nas negociações conduzidas pela senadora Soraya Thronicke, que mantém candidatura própria ao Senado e recusou a hipótese de integrar outra chapa como suplente.
A esquerda, porém, não estará unificada. A federação PSOL/Rede decidiu manter candidatura própria e lançará Lucien Rezende ao governo e Beto do Movimento ao Senado, preservando independência em relação ao PT. A convenção da federação foi marcada para oficializar a composição ainda dentro do calendário eleitoral.,
Na direita, o PL chega fortalecido para sua convenção estadual. O partido deve homologar Reinaldo Azambuja e Capitão Contar como candidatos ao Senado e trabalha para manter Marcos Pollon na disputa pela Câmara, evitando divisão interna e reforçando a estratégia de ampliar a bancada federal.
O MDB vive uma das situações mais delicadas do processo eleitoral. Embora integre a coligação de Riedel no Estado, a legenda ainda não definiu apoio formal para a Presidência da República. Nos bastidores, lideranças emedebistas defendem aproximação com o campo de centro-direita, enquanto o partido tenta manter espaço tanto na chapa governista quanto nas negociações para o Senado.
É justamente no Senado que surge um dos principais impasses jurídicos da eleição. O nome do ex-ministro Carlos Marun (MDB) foi cogitado para a suplência do senador Nelsinho Trad (PSD), mas o entendimento consolidado pelo Tribunal Superior Eleitoral em 2022 proíbe as chamadas coligações cruzadas, impedindo que um partido participe de uma aliança para governador e, ao mesmo tempo, integre formalmente outra coligação para o Senado no mesmo Estado.
O PSD, por sua vez, trabalha para viabilizar a reeleição de Nelsinho Trad sem romper pontes com o grupo de Riedel, enquanto o PSB mantém Soraya Thronicke na disputa por uma das vagas no Senado, reforçando sua posição no campo de oposição.
Fora dos grandes blocos, Novo, DC e Agir insistem em candidaturas próprias ao governo. João Henrique Catan (Novo), Renato Gomes (DC) e Jefferson Bezerra (Agir) tentam ocupar espaços à direita e ao centro, embora enfrentem uma limitação importante: sem atingir a cláusula de barreira de 2022, essas legendas não terão acesso ao horário eleitoral gratuito nem aos recursos vinculados ao fundo partidário para campanhas majoritárias.
Outra indefinição relevante envolve a federação PRD/Solidariedade. O grupo, presidido em Mato Grosso do Sul pelo ex-senador Delcídio do Amaral, admite até ficar fora das eleições caso não receba garantia de recursos financeiros da direção nacional para sustentar as campanhas.
Com esse cenário, apenas Riedel, Fábio Trad e Lucien Rezende terão presença garantida no horário eleitoral gratuito, enquanto Novo, DC e Agir dependerão principalmente das redes sociais, campanhas de rua e chapas proporcionais para ganhar visibilidade. O quadro geral dos pré-candidatos ao governo já reúne representantes de seis partidos ou federações diferentes, mostrando a fragmentação da disputa em 2026.
O prazo final para as convenções é 5 de agosto, e até lá novas adesões, trocas de apoio e ajustes de coligação ainda podem mudar o desenho da eleição. O que já está claro é que a disputa em Mato Grosso do Sul deixou de ser apenas um confronto entre governo e oposição: transformou-se em uma complexa batalha envolvendo praticamente todos os partidos do Estado, com reflexos diretos no governo, no Senado e na composição das futuras bancadas federal e estadual.