
Uma notícia amarga para o bolso do sul-mato-grossense: os pedágios da BR-163 ficaram mais caros a partir da zero hora desta terça-feira (5). A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) autorizou o reajuste nas nove praças administradas pela Motiva Pantanal, e o aumento chega a 43% em Campo Grande, onde a tarifa para carros de passeio salta de R$ 10 para R$ 14,30. A medida foi aprovada na primeira revisão ordinária do novo contrato de concessão da rodovia.
O impacto é imediato para quem depende da BR-163 para trabalhar, estudar, fazer tratamento de saúde ou visitar a família. Cruzar todas as praças de pedágio no trecho sul-mato-grossense passa a custar R$ 107 apenas em tarifas, sem contar combustível, alimentação e demais despesas da viagem.
A praça mais cara do Estado continua sendo a de Campo Grande (km 432,1), com tarifa de R$ 14,30 para automóveis. Em Mundo Novo, considerada a mais barata, o valor sobe de R$ 6,50 para R$ 9,20. Também haverá aumento em Itaquiraí, Caarapó, Rio Brilhante, Jaraguari, São Gabriel do Oeste, Rio Verde de Mato Grosso e Pedro Gomes.
Segundo a ANTT, o reajuste resulta da aplicação de um degrau tarifário de 33,64% somado à correção inflacionária de 5,16%, totalizando alta acumulada de 40,53% nas tarifas básicas.
A Motiva Pantanal afirma que o aumento está ligado ao cumprimento antecipado das metas iniciais de investimento previstas no contrato otimizado da concessão. A concessionária diz que os resultados foram auditados e validados, permitindo a entrada imediata do novo valor. Os recursos, segundo a empresa, serão destinados à recuperação do pavimento e às obras de ampliação da BR-163.
O problema é que o reajuste chega antes de a rodovia apresentar os avanços esperados na duplicação. Grande parte das obras históricas ainda não foi executada, e extensos trechos continuam em pista simples, cenário que há anos gera críticas de motoristas, transportadores e moradores das cidades cortadas pela BR-163. O próprio processo de revisão reconhece que os investimentos previstos para esta etapa somam R$ 555 milhões, dentro de um pacote superior a R$ 1 bilhão no primeiro ano da nova concessão.
Na prática, o aumento pesa não apenas no turismo e nas viagens particulares, mas também na economia do Estado. Caminhões, ônibus e veículos de carga terão reajustes proporcionais, o que pode pressionar o custo do frete e, consequentemente, refletir no preço de alimentos, combustíveis e produtos que circulam pela principal rodovia de Mato Grosso do Sul.
Veja alguns dos novos valores para automóveis de passeio:
Mundo Novo: R$ 9,20
Itaquiraí: R$ 12,50
Caarapó: R$ 12,60
Rio Brilhante: R$ 12,70
Campo Grande: R$ 14,30
Jaraguari: R$ 10,90
São Gabriel do Oeste: R$ 10,70
Rio Verde de MT: R$ 14,00
Pedro Gomes: R$ 10,30
As motocicletas permanecem isentas de pedágio e contam com pista exclusiva de passagem. Motoristas que utilizam TAG eletrônica terão desconto de 5%, e veículos leves podem aderir ao programa de desconto para usuário frequente, que reduz progressivamente o valor pago na mesma praça ao longo do mês.
Mesmo com os descontos, a sensação entre muitos usuários é de frustração. O sul-mato-grossense começará agosto pagando mais caro para circular pela principal rodovia do Estado, enquanto ainda espera que a BR-163 entregue, de forma visível e segura, as obras prometidas há mais de uma década.