Quinta, 06 de Agosto de 2026

Prefeitura quer parcelar dívida de R$ 2,3 bilhões com a previdência em 25 anos

Projeto enviado em regime de urgência entra na pauta dos vereadores e prevê pagamento mensal de quase R$ 8 milhões ao IPMCG, com recursos do FPM como garantia

06/08/2026 às 13h00
Por: Tatiana Lemes
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Foto: Reprodução
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A Câmara Municipal de Campo Grande começou a analisar nesta quinta-feira (6) um dos projetos mais pesados do ponto de vista financeiro já encaminhados pela Prefeitura nos últimos anos. A proposta autoriza o parcelamento de uma dívida de R$ 2,385 bilhões com o Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IPMCG), referente a contribuições previdenciárias que deixaram de ser repassadas entre 2010 e 2021.

Se aprovado pelos vereadores, o débito será pago em 300 parcelas mensais, o equivalente a 25 anos de compromisso financeiro. Cada prestação inicial foi calculada em cerca de R$ 7,95 milhões, valor que ainda sofrerá atualização pelo INPC, além da incidência de juros de 0,5% ao mês.

O projeto foi assinado pela prefeita Adriane Lopes (PP) e encaminhado ao presidente da Câmara, vereador Papy (PSDB), com pedido de tramitação em regime de urgência.

Na prática, a proposta reconhece oficialmente uma dívida bilionária acumulada ao longo de mais de uma década e transfere o pagamento para os próximos governos municipais. Para garantir o cumprimento do acordo, a Prefeitura prevê a vinculação de recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), uma das principais fontes de receita de Campo Grande.

O texto também determina que o município continue repassando regularmente as contribuições previdenciárias correntes enquanto estiver pagando o parcelamento. Ou seja, além das parcelas milionárias da dívida antiga, a Prefeitura terá de manter em dia as obrigações mensais atuais com o IPMCG.

Na justificativa enviada aos vereadores, o Executivo afirma que a regularização é necessária para recuperar o Certificado de Regularidade Previdenciária (CRP). Sem esse documento, Campo Grande pode enfrentar restrições para receber transferências voluntárias da União, firmar convênios e contratar financiamentos com instituições federais.

A discussão deve provocar forte repercussão política e financeira no Legislativo. Embora a Prefeitura sustente que o parcelamento é essencial para evitar prejuízos administrativos e garantir acesso a recursos federais, o projeto expõe o tamanho do passivo previdenciário acumulado pelo município e o impacto que ele poderá ter sobre as contas públicas nas próximas décadas.

Com a entrada da proposta na pauta, os vereadores terão de decidir se autorizam um acordo que busca regularizar a situação previdenciária da Capital, mas que também compromete receitas futuras e estende por 25 anos o pagamento de uma dívida bilionária com os servidores municipais.

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