
Em um momento em que Mato Grosso do Sul intensifica o enfrentamento à violência contra mulheres e meninas, Campo Grande anunciou uma medida considerada um importante avanço na proteção feminina: bares, restaurantes e hotéis da Capital passarão a integrar uma rede de acolhimento imediato para mulheres em situação de risco.
A iniciativa, lançada nesta sexta-feira (7) durante a abertura da campanha Agosto Lilás, cria o selo “Espaço Seguro”, que certificará estabelecimentos preparados para identificar pedidos de ajuda, acolher vítimas e acionar a rede de proteção. O termo de cooperação foi firmado entre a Prefeitura de Campo Grande, por meio da Secretaria Executiva da Mulher, e a Abrasel-MS (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes). A ação começa com 20 estabelecimentos e deverá ser ampliada nos próximos meses.
A notícia ganha ainda mais relevância no dia em que a Lei Maria da Penha completa 20 anos, marco legal que consolidou a rede de proteção às mulheres no Brasil e fortaleceu os mecanismos de prevenção, acolhimento e acesso à Justiça.
O diferencial do programa será o treinamento prático das equipes. Funcionários aprenderão a reconhecer sinais de violência, ameaça, assédio ou pedidos silenciosos de socorro, conduzir a mulher a um local reservado e acionar imediatamente os órgãos de proteção. Cada estabelecimento deverá manter um espaço seguro para retirar a vítima da situação de risco até a chegada do atendimento especializado.
O presidente da Abrasel-MS, Cristiano Parmezan, destacou que a proposta transforma campanhas de conscientização em uma resposta concreta.
“Agora o mais importante será o treinamento. Os funcionários vão aprender a identificar uma situação de violência, acolher essa mulher e encaminhar o atendimento”, afirmou.
Durante o lançamento, a secretária executiva da Mulher, Angélica Fontanari, reforçou a divulgação do sinal universal de socorro — palma da mão para fora, polegar dobrado para dentro e os demais dedos fechados sobre ele. O gesto, usado internacionalmente por mulheres em situação de violência, passará a fazer parte da capacitação das equipes dos estabelecimentos.
“Queremos que os funcionários consigam perceber esse pedido de ajuda, acolher a mulher e garantir sua segurança até que a rede de proteção seja acionada”, explicou.
A prefeita Adriane Lopes informou que mais de 3 mil mulheres já foram atendidas pelos programas municipais voltados à prevenção e ao enfrentamento da violência. Segundo a gestão, o município mantém um ecossistema de proteção que reúne ações de acolhimento, orientação, capacitação, empregabilidade e encaminhamento ao mercado de trabalho.
O programa CG Delas concentra mais de 25 projetos permanentes voltados ao fortalecimento da autonomia feminina, educação, proteção social e geração de renda.
Outra ação anunciada no Agosto Lilás foi a formação de 200 pré-adolescentes no projeto Meninos e Meninas Fortes. Os participantes receberam orientações sobre violência de gênero, respeito, autoestima, gravidez na adolescência e construção de relações saudáveis.
Para a Secretaria da Mulher, investir na educação desde cedo é uma das formas mais eficazes de prevenir a violência e construir uma cultura de respeito.
Embora os desafios ainda sejam grandes, a criação do Espaço Seguro representa uma notícia positiva para as mulheres sul-mato-grossenses. A medida amplia os pontos de proteção espalhados pela cidade, fortalece a rede de apoio e mostra que a responsabilidade pelo enfrentamento da violência não pode recair apenas sobre a vítima.
Com bares, restaurantes e hotéis preparados para acolher, orientar e pedir ajuda, Campo Grande dá um passo concreto para que mais mulheres se sintam seguras ao sair de casa, trabalhar, estudar, se divertir e exercer plenamente seu direito de viver sem medo.