Quarta, 19 de Agosto de 2026

Estupro coletivo e abuso sexual escancaram violência contra mulheres e adolescentes em MS

Mulher é vítima de estupro coletivo em Campo Grande; policial é preso por abuso contra adolescente

19/08/2026 às 13h30
Por: Tatiana Lemes
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Foto: George Campos
Foto: George Campos

A violência sexual voltou a expor a vulnerabilidade de mulheres e adolescentes em Mato Grosso do Sul. Dois casos graves, revelados nesta semana, mostram diferentes formas de abordagem utilizadas por suspeitos e colocam novamente o estupro no centro do alerta sobre a segurança de mulheres e meninas.

Em Campo Grande, uma mulher de 34 anos, em situação de rua, denunciou ter sido vítima de estupro coletivo nas proximidades do prédio da antiga rodoviária. Segundo o boletim de ocorrência, o crime teria acontecido no dia 7 de agosto, mas foi registrado somente na noite de segunda-feira (17), na Depac-Cepol.

De acordo com o relato da vítima, ela estava consumindo entorpecentes com um homem quando ele teria demonstrado interesse em manter relações sexuais. Ela recusou. Diante da negativa, o suspeito teria chamado outras três mulheres, que, segundo a denúncia, ajudaram a segurá-la.

A vítima relatou ter sido agredida com socos e imobilizada enquanto o homem praticava o estupro. O suspeito ainda teria utilizado violência extrema, enforcando a mulher até que ela quase perdesse a consciência.

Para conseguir sobreviver, ela contou que se fingiu de morta para que os envolvidos se afastassem. Depois da violência, pediu ajuda a outro usuário que estava nas proximidades.

O terror, porém, não teria terminado naquele momento. Dias depois, segundo a vítima, ela encontrou novamente o suspeito, que teria feito ameaças para impedir que ela procurasse a polícia ou contasse o que havia acontecido.

Adolescente teria sido atraída por falsa promessa de emprego

Em Aquidauana, outro caso envolve uma adolescente e um policial militar, preso preventivamente por determinação da Justiça na terça-feira (18).

Segundo as informações divulgadas, o militar teria se apresentado como proprietário de uma loja de roupas e oferecido à adolescente uma suposta vaga de jovem aprendiz. Durante o trajeto, conforme o relato apresentado às autoridades, ele teria mostrado uma arma e ameaçado a vítima para obrigá-la a manter contato sexual.

Ainda segundo o relato, o policial teria parado em uma farmácia para comprar preservativo. Nesse momento, a adolescente conseguiu escapar e procurar ajuda.

O caso ocorreu em maio e agora, com o avanço das investigações, a Justiça determinou a prisão preventiva do suspeito. O processo tramita em segredo de Justiça e, por isso, a identidade do policial e informações que possam identificar a adolescente não foram divulgadas.

Dois casos, um mesmo alerta

Embora tenham ocorrido em circunstâncias diferentes, os dois episódios têm um ponto em comum: mulheres e adolescentes foram colocadas em situações de extrema vulnerabilidade e tiveram a violência sexual utilizada como instrumento de dominação e ameaça.

No caso de Campo Grande, a vítima afirma ter sido atacada depois de dizer não. Em Aquidauana, a adolescente teria sido atraída por uma falsa oportunidade de emprego e, posteriormente, ameaçada.

Os relatos reforçam a gravidade do estupro e a necessidade de uma resposta firme das autoridades. Não se trata apenas de investigar os crimes depois que acontecem, mas de fortalecer mecanismos de prevenção, proteção e acolhimento capazes de reduzir a exposição de mulheres e meninas a situações de violência sexual.

O estupro não pode ser banalizado, silenciado ou tratado como mais uma ocorrência policial. Cada denúncia representa uma vítima que precisou enfrentar medo, violência e, muitas vezes, ameaças para conseguir buscar ajuda.

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