
A gestão dos Centros Regionais de Saúde (CRSs) do Aero Rancho e Tiradentes pode voltar a provocar debate político em Campo Grande no próximo ano. Depois de ter sido rejeitada pela Câmara Municipal em maio, a proposta de transferir as duas unidades para organizações sociais de saúde (OSS) deverá ser reavaliada pela Prefeitura em 2027.
A possibilidade foi confirmada pelo secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, durante agenda pública nesta sexta-feira (18). A ideia já havia sido mencionada pelo titular da Sesau após a derrota do projeto no Legislativo, quando ele indicou que o assunto poderia ser retomado depois das eleições.
A proposta anterior acabou barrada pelos vereadores em 5 de maio. O texto enviado pelo Executivo previa que os dois CRSs passassem a ser administrados por uma organização social, em um modelo apresentado pela Prefeitura como alternativa diante das dificuldades para manter a estrutura com gestão direta.
Entre as justificativas estavam a falta de servidores, as limitações impostas pelo chamado limite prudencial de gastos com pessoal e as medidas de contenção de despesas adotadas pelo município.
Embora exista a possibilidade de a Prefeitura recorrer a um decreto para alterar o modelo de gestão, essa alternativa não está atualmente em discussão dentro do Executivo.
O secretário municipal de Governo, Ulisses Rocha, afirmou nesta sexta-feira que não há, neste momento, uma articulação para fazer a terceirização por decreto.
A declaração mantém o caminho legislativo como uma das possibilidades para uma eventual retomada do projeto em 2027.
Quando chegou ao Legislativo, a mudança na administração dos dois CRSs gerou resistência entre vereadores e representantes dos servidores da saúde. A votação terminou com 17 votos contrários e 11 favoráveis, impedindo a implantação do projeto-piloto.
A discussão, entretanto, não encerrou o debate sobre alternativas para a administração das unidades. Durante a apresentação da proposta, a Secretaria Municipal de Saúde defendia que uma OSS poderia dar maior agilidade à contratação de profissionais e à compra de insumos, além de estabelecer metas de desempenho.
Em março, Vilela havia informado que as duas unidades representavam uma despesa de aproximadamente R$ 4,3 milhões por mês e que o modelo estudado pela Prefeitura poderia reduzir esse custo para cerca de R$ 3,9 milhões mensais.
Agora, com a discussão projetada para 2027, o futuro da gestão dos dois centros de saúde volta a depender de uma nova rodada de negociações entre Prefeitura e Câmara.
O governador Eduardo Riedel (PP) já havia manifestado apoio à proposta durante a primeira tentativa de implantação e incentivado Vilela a manter a discussão.