Terça, 29 de Setembro de 2026

Termômetros passam dos 40°C, consumo dispara e calor pressiona rede elétrica em MS

Demanda chegou a 1.374 MW no domingo, alta de 4% sobre 2025; sensação térmica bateu 48°C em Corumbá e 44°C em Campo Grande

29/09/2026 às 15h00
Por: Tatiana Lemes
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Foto: Reprodução
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O calor extremo que tomou conta de Mato Grosso do Sul nos últimos dias já aparece também nos números do sistema elétrico. Com termômetros chegando a 44°C e sensação térmica de até 48°C, o consumo de energia no Estado aumentou 4% em relação ao mesmo período de 2025. O pico ocorreu no domingo (27), às 19h, quando a demanda chegou a 1.374 megawatts (MW).

Segundo a Energisa, a diferença registrada neste ano representa uma quantidade de energia suficiente para abastecer Corumbá, uma das maiores cidades de Mato Grosso do Sul. O aumento está diretamente relacionado à maior utilização de aparelhos de ar-condicionado durante a onda de calor.

O episódio de calor intenso colocou o Estado sob alerta vermelho do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O aviso para onda de calor começou no fim de semana e permanece em algumas áreas até quarta-feira (30). O instituto considera o fenômeno caracterizado por temperaturas pelo menos 5°C acima da média por cinco dias consecutivos ou mais.

Sensação térmica chegou a 48°C

O domingo (27) foi marcado por temperaturas extremas em diferentes regiões de Mato Grosso do Sul. As máximas ficaram entre 38°C e 44°C, enquanto a umidade relativa do ar chegou a níveis entre 15% e 30%.

Em Campo Grande, a sensação térmica alcançou 44°C. Em Corumbá, chegou a 48°C. No dia seguinte, o município voltou a registrar uma das maiores temperaturas do país: 43,2°C, segundo dados do Inmet.

O Inmet informou que o calor intenso está associado a uma configuração atmosférica que favorece o transporte e a permanência de ar quente sobre a região. A aproximação de uma frente fria, entretanto, começa a mudar gradualmente as condições do tempo no Estado.

Ar-condicionado pesa mais no consumo

O aumento da demanda não está relacionado apenas à quantidade de aparelhos instalados nas residências. Em dias de calor extremo, os equipamentos também precisam trabalhar durante mais tempo para manter a temperatura programada.

Segundo o coordenador comercial da Energisa, Jonas Ortiz, quando a temperatura externa sobe, o esforço necessário para resfriar os ambientes aumenta.

Um aparelho programado para manter o ambiente a 22°C, por exemplo, precisa trabalhar mais quando a temperatura externa chega a 36°C do que quando está em 26°C.

A empresa também chama atenção para mudanças no perfil de consumo das famílias. Residências que passaram a utilizar dois ou três aparelhos de ar-condicionado podem provocar aumento significativo da demanda. Nesses casos, a orientação é solicitar à concessionária uma avaliação para verificar se a instalação possui capacidade adequada.

Calor também pesa sobre geladeiras

O efeito das altas temperaturas não fica restrito ao ar-condicionado. Geladeiras e freezers também tendem a permanecer mais tempo em funcionamento para manter a temperatura interna durante períodos de calor intenso.

Por isso, a Energisa recomenda manter esses equipamentos afastados de fontes de calor, verificar as borrachas de vedação e evitar abrir as portas repetidamente.

Para o ar-condicionado, a orientação é manter os filtros limpos, fechar portas e janelas durante o funcionamento e, sempre que possível, regular o aparelho em 23°C.

Já os ventiladores devem ser utilizados somente quando o ambiente estiver ocupado. Na iluminação, a recomendação é aproveitar a luz natural e optar por lâmpadas de LED.

Calor começa a dar lugar a mudança no tempo

A sequência de temperaturas extremas começa a perder força com o avanço de uma frente fria pelo Sul do país. Segundo o Inmet, o sistema deve interromper gradualmente a sequência de dias muito acima da média e provocar mudança nas condições meteorológicas em Mato Grosso do Sul.

Enquanto a mudança não se consolida, o Estado permanece sob atenção para os efeitos do calor, da baixa umidade e, posteriormente, da possibilidade de temporais e ventos fortes.

O reflexo da onda de calor, porém, já está registrado: quanto mais sobem os termômetros, maior é a busca por climatização — e, consequentemente, maior a pressão sobre o consumo de energia elétrica.

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