
A sobrecarga enfrentada por enfermeiros e técnicos de enfermagem da Santa Casa de Campo Grande levou o hospital a reforçar a equipe e retirar parte das funções que haviam sido incorporadas à rotina da categoria. Em reunião de mediação realizada nesta segunda-feira (5), foram anunciadas a contratação de 13 coletadores e o remanejamento de outros sete profissionais para atuar na coleta de exames.
A medida foi apresentada após o Sindicato dos Trabalhadores na Área de Enfermagem de Mato Grosso do Sul (Siems) levar ao Ministério Público do Trabalho (MPT-MS) reclamações sobre o acúmulo de tarefas dentro do hospital. A situação ganhou força depois que a Santa Casa encerrou o contrato com o laboratório que realizava os serviços de coleta.
Com a mudança, enfermeiros e técnicos passaram a assumir parte das coletas, além das atividades assistenciais. O sindicato também relatou que profissionais estavam sendo direcionados para o transporte de pacientes, função atribuída aos maqueiros.
Segundo a advogada do Siems, Olívia Brandão, houve casos de trabalhadores suspensos por se recusarem a executar o transporte de pacientes.
Apesar do reforço anunciado, a solução não chegou a todos os setores da Santa Casa. Durante a reunião, o gerente do Serviço de Apoio Diagnóstico Terapêutico (SADT), Felipe Soares Alves, informou que a unidade de trauma ainda não recebeu coletadores.
A previsão é de novas contratações para atender o setor, mas ainda não há prazo definido para que os profissionais sejam incorporados à equipe.
A situação continuará sendo acompanhada pelo sindicato, principalmente nos setores onde o número reduzido de trabalhadores pode provocar impacto direto no atendimento.
A vice-presidente do Siems, Helena Delgado, afirmou que o problema vai além do acúmulo de tarefas. Para o sindicato, quando um enfermeiro ou técnico precisa deixar o setor para acompanhar um paciente até exames ou outro serviço do hospital, os profissionais que permanecem ficam sobrecarregados.
“Essas questões sempre parecem muito pequenas vistas de fora, mas o impacto dentro da atuação dos profissionais é imenso”, afirmou.
Sobre o transporte de pacientes, a Santa Casa informou que pronto-socorro, cirurgia, clínica médica e hemodiálise já contam com maqueiros. Nas UTIs, pacientes críticos são transportados por uma equipe formada por médico, enfermeiro e fisioterapeuta.
O gerente de Gestão de Pessoas, Gabriel Santos da Cruz, ficou responsável por levar a demanda à superintendência do hospital.
Nos próximos 15 dias, representantes do Siems, do Recursos Humanos e da Gestão de Enfermagem deverão identificar os setores mais críticos e discutir novas medidas para reduzir a sobrecarga.
Uma nova reunião de mediação no MPT está marcada para 19 de outubro. A falta de maqueiros e o transporte de pacientes devem estar entre os principais pontos da discussão.
A Santa Casa de Campo Grande está atualmente sob intervenção, após o afastamento da antiga direção.