
Mato Grosso do Sul terminou o primeiro turno das eleições de 2026 com um recado claro das urnas: o campo político de direita e centro-direita saiu ainda mais fortalecido. A reeleição de Eduardo Riedel (PP) com uma vitória expressiva no primeiro turno se somou ao desempenho histórico do PL, que conquistou as duas vagas ao Senado, ampliou sua representação na Câmara dos Deputados e se tornou a maior bancada da Assembleia Legislativa.
Riedel recebeu 914.323 votos, equivalentes a 67,07% dos votos válidos, e encerrou a disputa sem necessidade de segundo turno. O resultado coloca a eleição entre as mais expressivas da história recente de Mato Grosso do Sul e marca a primeira vitória de um governador no primeiro turno desde André Puccinelli, em 2010.
O desempenho do governador também representa a continuidade do grupo político que administra o Estado há 12 anos. O petista Fábio Trad terminou em segundo, com 322.807 votos (23,68%), uma distância de mais de 590 mil votos para Riedel.
Se a vitória de Riedel já sinalizava a força do campo governista, o resultado para o Senado ampliou ainda mais o tamanho da vitória da direita.
Reinaldo Azambuja (PL) foi eleito com 903.554 votos, a maior votação já registrada por um candidato ao Senado em Mato Grosso do Sul. Na sequência, Capitão Contar (PL) conquistou a segunda vaga, com 856.045 votos.
Juntos, os dois candidatos do PL somaram 1.759.599 votos, garantindo ao partido as duas cadeiras em disputa. O petista Vander Loubet ficou em terceiro, com 361.920 votos.
A votação de Azambuja superou inclusive o recorde anterior, que pertencia a Tereza Cristina, eleita em 2022 com 829.149 votos. O resultado consolida o ex-governador como uma das principais lideranças políticas do Estado e amplia sua capacidade de articulação em Brasília.
“Recebo esses mais de 903 mil votos com muita gratidão e também com um enorme senso de responsabilidade. Mato Grosso do Sul confiou no nosso trabalho e agora temos a missão de representar cada município e cada sul-mato-grossense no Senado”, afirmou Azambuja.
O avanço do PL não ficou restrito ao Senado. A legenda também conquistou três das oito cadeiras de Mato Grosso do Sul na Câmara dos Deputados, formando a maior bancada partidária do Estado.
Foram eleitos Marcos Pollon, com 140.129 votos; Mara Caseiro, com 120.199; e Rodolfo Nogueira, com 103.303. O resultado coloca o PL à frente das demais siglas na representação federal sul-mato-grossense.
A votação proporcional também revela a força do partido junto ao eleitorado. Pollon ficou entre os mais votados de todo o Estado, enquanto Mara Caseiro deixa a Assembleia para assumir uma cadeira em Brasília.
Na Assembleia Legislativa, o crescimento também foi expressivo. O PL conquistou nove das 24 cadeiras, o equivalente a 37,5% do Legislativo estadual, formando a maior bancada da Casa.
Entre os eleitos estão Zé Teixeira, Paulo Corrêa, Coronel David, Gianni Nogueira, Odilon Ribeiro, Daverson Matos, André Salineiro, Lucas de Lima e Marcio Fernandes.
O partido ainda colocou seus dois candidatos entre os mais votados para deputado estadual: Zé Teixeira recebeu 54.080 votos, enquanto Paulo Corrêa alcançou 44.541.
Com o resultado, o PL terá papel central nas discussões da próxima legislatura, especialmente na formação de maiorias, escolha das comissões e votação de projetos do governo estadual.
A reeleição de Riedel ocorre em um cenário especialmente favorável para a continuidade de sua agenda administrativa. O governador terá ao seu lado uma ampla aliança política e, no Congresso, dois senadores do PL com forte votação e uma bancada federal expressiva.
O plano de governo para o segundo mandato está estruturado em quatro grandes frentes: proteção social, segurança, desenvolvimento econômico e infraestrutura, além de governança e eficiência digital.
Entre as propostas estão a ampliação da saúde regionalizada e da telemedicina, implantação do Hospital Regional do Pantanal, expansão do ensino em tempo integral, reforço da segurança de fronteira, avanço do Agro 5.0, investimentos em infraestrutura, universalização do saneamento e manutenção do equilíbrio fiscal.
Na área ambiental, o governo também prevê a consolidação de Mato Grosso do Sul como Estado Carbono Neutro, enquanto na administração pública a meta é digitalizar integralmente os serviços estaduais.
O cenário eleitoral reforça ainda mais a leitura de avanço da direita no Estado. Na disputa presidencial, Flávio Bolsonaro (PL) foi o candidato mais votado em Mato Grosso do Sul, com 58,60% dos votos, contra 34,68% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Assim, o eleitorado sul-mato-grossense entregou ao campo conservador resultados expressivos em praticamente todas as principais disputas: o governador apoiado pela direita foi reeleito com ampla vantagem, os dois senadores eleitos são do PL, o partido conquistou a maior bancada federal e também lidera a Assembleia Legislativa.
O resultado de 2026 redesenha o mapa político de Mato Grosso do Sul. Reinaldo Azambuja chega ao Senado com uma votação recorde e sob o comando de um partido que ampliou sua presença institucional, enquanto Riedel inicia o segundo mandato com uma base política mais robusta.
A força conquistada nas urnas, porém, também aumenta a responsabilidade do grupo. Com maior presença em Brasília, forte bancada estadual e o comando do Executivo, o desafio agora será transformar a vantagem eleitoral em capacidade de articulação e resultados concretos para os municípios e para a população.
Mais do que uma sequência de vitórias individuais, a eleição consolidou um novo equilíbrio de forças em Mato Grosso do Sul — e colocou a direita em uma posição de protagonismo que deve influenciar a política estadual pelos próximos anos.