Segunda, 05 de Outubro de 2026

PL dispara no Congresso e direita ganha força para pautar Brasília em 2027

Partido terá 121 deputados e 28 senadores, maior bancada das duas Casas; com Novo e Republicanos, bloco chega a 172 deputados e 36 senadores, ampliando espaço para pautas conservadoras

05/10/2026 às 16h30
Por: Tatiana Lemes
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Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

As eleições de 2026 produziram uma mudança significativa no mapa de forças do Congresso Nacional. O PL saiu das urnas como a maior bancada da Câmara e do Senado, ampliando sua presença nas duas Casas e abrindo espaço para uma atuação mais robusta do campo político identificado com a direita a partir de 2027.

Na Câmara, o partido terá 121 deputados, número equivalente a 23,6% das 513 cadeiras. São 24 parlamentares a mais que os 97 eleitos pela legenda em 2022, segundo os dados divulgados pela própria Câmara dos Deputados. A federação PT-PCdoB-PV ficará com 88 cadeiras, enquanto União Progressista, formada por União Brasil e PP, terá 87.

No Senado, o avanço é ainda mais expressivo. O PL elegeu 19 senadores em 2026 e chegará a 28 integrantes na próxima legislatura, que começa em fevereiro de 2027. Será a maior bancada da Casa no início de uma legislatura desde 1988, segundo levantamento da Câmara.

O resultado transforma o PL na principal força partidária do Congresso e aumenta seu poder de negociação para definir presidências, comissões e a prioridade de determinadas pautas.

Direita amplia espaço, mas precisará de aliados

Além do PL, o Novo terá 10 deputados e três senadores, enquanto o Republicanos contará com 41 deputados e cerca de cinco a seis senadores, conforme a composição considerada. Somadas as bancadas de PL, Novo e Republicanos, o campo identificado como direita chega a aproximadamente 172 deputados e 36 senadores.

A soma, porém, não significa uma bancada única nem garante maioria automática. Republicanos e outras siglas do chamado Centrão podem formar alianças diferentes de acordo com cada votação. O que muda é o tamanho do espaço ocupado por parlamentares de direita dentro do Legislativo.

Na prática, a nova composição cria condições mais favoráveis para que essas legendas apresentem, negociem e tentem aprovar projetos alinhados a suas agendas. Para propostas que exigem quórum mais elevado, entretanto, será indispensável ampliar a articulação para além desse núcleo.

Senado ganha peso na disputa com o STF

É no Senado que a nova configuração poderá produzir uma das mudanças políticas mais sensíveis. A Constituição atribui à Casa a competência para processar e julgar ministros do Supremo Tribunal Federal em crimes de responsabilidade.

Um levantamento do Ranking dos Políticos citado pela CNN aponta que 54 dos 81 senadores que estarão na Casa em 2027 já se manifestaram favoravelmente à possibilidade de impeachment de ministros do STF. O próprio levantamento faz uma ressalva importante: defender a possibilidade de impeachment não significa necessariamente votar pela condenação de um ministro em um caso concreto.

O número de 54 corresponde a dois terços do Senado, quórum previsto para a condenação em um processo de impeachment. A abertura de processos também passou a ser objeto de disputa jurídica quanto ao quórum exigido, após decisão do Supremo que alterou a interpretação sobre a Lei do Impeachment.

Com 28 senadores, o PL sozinho não alcança esse patamar. O partido precisará construir maioria com outras legendas para avançar em uma eventual iniciativa contra integrante da Corte.

Câmara também muda de patamar

Na Câmara, a nova correlação de forças é igualmente relevante. O PL terá 121 deputados, contra 88 da federação PT-PCdoB-PV e 87 da União Progressista. Republicanos terá 41, PSD 43 e MDB 36.

Para uma PEC, são necessários 308 votos favoráveis em dois turnos. Portanto, mesmo reunindo PL, Novo e Republicanos, o grupo não teria sozinho os votos necessários para alterar a Constituição. A mesma lógica vale para outras matérias que exigem quórum qualificado.

Já projetos de lei ordinária dependem de maioria simples dos votos dos parlamentares presentes, desde que respeitado o quórum de presença. É nesse tipo de votação que a capacidade de articulação das maiores bancadas pode ter impacto mais imediato.

PT perde espaço relativo

Enquanto o PL avança, a esquerda chega à próxima legislatura com uma bancada menor em relação à composição obtida em 2022 quando considerada a federação PT-PCdoB-PV. A federação terá 88 deputados, seis a mais que os 82 eleitos anteriormente, embora a composição partidária isolada do PT fique em 70 deputados.

No Senado, o contraste é mais evidente: o PL terá 28 parlamentares, enquanto o PT ficará com nove.

O resultado não significa que o governo federal ficará sem capacidade de articulação, já que partidos de centro e centro-direita continuam ocupando parcela expressiva do Congresso. Mas a nova configuração aumenta o peso do PL nas negociações políticas nacionais.

Uma nova disputa pelo comando do Congresso

Com a maior bancada nas duas Casas, o PL entra em 2027 em posição privilegiada para disputar espaços de comando e influenciar a agenda legislativa. A força numérica, porém, não se converte automaticamente em maioria: projetos de maior impacto continuarão exigindo acordos com outras siglas.

O que as urnas produziram, portanto, é um Congresso mais favorável ao campo político de direita, com o PL ocupando o centro dessa mudança. A partir de fevereiro, a disputa não será apenas pelo tamanho das bancadas, mas pela capacidade de transformar essa força eleitoral em maioria efetiva nas votações e em controle sobre a agenda do Legislativo.

A nova composição coloca em jogo temas que vão de reformas e pautas econômicas a segurança, costumes e a relação entre Congresso e Supremo. E, pela primeira vez em décadas, o PL começará uma legislatura como a maior força partidária simultaneamente na Câmara e no Senado.

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