Quarta, 07 de Outubro de 2026

Saúde sob suspeita: presidente de hospital é preso em operação que apura desvio de mais de R$ 18 milhões em MS

Segunda fase da Dirty Pix mira recursos destinados a equipamentos hospitalares, UTI móvel e obras; investigação aponta superfaturamento, contratos direcionados e movimentações financeiras suspeitas,

07/10/2026 às 16h45
Por: Tatiana Lemes
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Foto: Divulgação/MPMS
Foto: Divulgação/MPMS

A crise envolvendo o uso de dinheiro público na saúde de Mato Grosso do Sul ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (7), com a prisão do presidente do Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa, de Sidrolândia. Jacob Meeuwis Breure foi detido durante a segunda fase da Operação Dirty Pix, que investiga um esquema de desvio de recursos públicos superior a R$ 18 milhões.

A ofensiva foi conduzida pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio do Gaeco e do Gecoc, e cumpriu três mandados de prisão preventiva e 25 de busca e apreensão em Campo Grande, Sidrolândia, Maracaju e Selvíria. Além de Jacob, outras duas pessoas foram presas, entre elas Júlio César Alves da Silva.

O caso chama atenção porque os valores investigados tinham uma destinação diretamente ligada ao atendimento de pacientes. Segundo o MPMS, parte dos recursos deveria financiar a compra de um aparelho de ressonância magnética e uma autoclave hospitalar, por meio de convênio firmado entre o Governo de Mato Grosso do Sul e a entidade responsável pela administração do hospital de Sidrolândia.

Dinheiro da saúde teria sido desviado após chegar ao hospital

A investigação aponta que o suposto esquema não estaria restrito a uma única contratação. Conforme o Ministério Público, outros convênios firmados pela entidade passaram a ser analisados e apresentaram indícios semelhantes.

Entre os recursos sob investigação estão verbas destinadas à compra de equipamentos e materiais hospitalares, aquisição de uma UTI móvel e realização de obras de reforma na unidade.

De acordo com o MPMS, o grupo investigado teria elaborado planos de trabalho com informações fraudulentas, incluindo superfaturamento de bens e serviços e direcionamento de contratos para empresas previamente alinhadas ao núcleo investigado.

Depois que os recursos públicos eram depositados nas contas da entidade hospitalar, parte do dinheiro teria sido retirada da finalidade prevista nos convênios e redistribuída por meio de uma sequência de movimentações financeiras.

A apuração aponta ainda que essas transferências teriam alcançado, de forma direta ou indireta, agentes políticos, articuladores, intermediários e outras pessoas.

Investigação começou em 2025

A Dirty Pix teve sua primeira fase deflagrada em novembro de 2025. A partir daquela operação, os investigadores aprofundaram a análise de outros contratos e convênios envolvendo o hospital e identificaram, segundo o MPMS, a repetição de um mesmo modelo de atuação.

O Ministério Público também afirma ter encontrado indícios de utilização do poder financeiro da organização investigada para dificultar o avanço das investigações, o que ampliou a gravidade das suspeitas analisadas nesta segunda etapa.

O nome Dirty Pix, traduzido como “Pix sujo”, faz referência justamente às movimentações financeiras que, segundo a investigação, teriam sido utilizadas para operacionalizar o esquema.

Defesa afirma que presidente vai colaborar

Após a prisão, o advogado de Jacob, Wellison Muchiutti Hernandes, afirmou que o cliente pretende colaborar com as investigações e apresentar esclarecimentos sobre os fatos apurados.

A defesa sustenta que aquilo que for verdadeiro será confirmado e que eventuais acusações que não correspondam aos fatos deverão ser esclarecidas no decorrer da investigação.

As prisões são preventivas e as suspeitas ainda serão submetidas ao devido processo legal. A operação segue em andamento, com análise do material apreendido e aprofundamento das apurações sobre o destino dos recursos públicos.

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