
A sessão que deveria cobrar explicações sobre os buracos nas ruas de Campo Grande terminou em tumulto e sem respostas nesta terça-feira (20). Uma confusão entre manifestantes contrários à gestão municipal e apoiadores da prefeita Adriane Lopes (PP) levou à retirada de um líder comunitário do plenário e ao cancelamento da prestação de esclarecimentos do secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), André de Moura Brandão.
A reunião havia sido convocada após a instauração da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tapa-Buracos, que investiga questões relacionadas aos serviços de recuperação do asfalto na Capital. Com a presença de grupos de oposição e de apoio à administração municipal, a Câmara ficou lotada antes mesmo do início dos esclarecimentos.
O episódio começou quando o comerciante Gustavo Eifler levou uma maquete de isopor para ilustrar as críticas às condições do pavimento de Campo Grande. O objeto foi quebrado por Antônio de Jesus Charupá, líder comunitário identificado como servidor comissionado da Prefeitura e apoiador da prefeita.
Diante da confusão, o presidente da Câmara, Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), determinou a retirada de Charupá. Guardas municipais precisaram intervir. O homem resistiu por alguns minutos, permanecendo sentado em uma cadeira, até deixar o local acompanhado pelos agentes.
Mesmo com Brandão já presente na Câmara, a prestação de esclarecimentos foi suspensa. Papy lamentou o ocorrido e afirmou que uma nova data será definida, com reforço na segurança.
“Isso foi um ato político claramente. Vamos remarcar a vinda do André com um reforço maior na segurança”, declarou o presidente do Legislativo.
Após o cancelamento, o secretário também criticou a atitude atribuída ao líder comunitário. Segundo Brandão, a administração municipal não compactua com esse tipo de comportamento e medidas deverão ser tomadas.
O titular da Sisep aproveitou a entrevista para afirmar que 12 equipes de tapa-buracos atuam nas sete regiões urbanas de Campo Grande, com o objetivo de dar resposta às reclamações da população.
Questionado sobre a investigação parlamentar, Brandão afirmou considerar legítima a CPI e disse que o trabalho pode contribuir para esclarecer os problemas relacionados ao serviço. Ele também mencionou a operação realizada na Sisep em março deste ano, que resultou na prisão de ex-secretários e servidores, conforme relatou.
A comissão foi criada em meio às cobranças sobre a conservação das ruas e à pressão por respostas da Prefeitura. A suspensão da reunião desta terça-feira, porém, adiou a oportunidade de os vereadores questionarem diretamente o secretário sobre a execução dos serviços.
Até o momento, não foi divulgada uma nova data para a prestação de esclarecimentos. Com isso, a cobrança sobre a operação tapa-buracos permanece pendente na Câmara, enquanto as críticas às condições do asfalto seguem mobilizando moradores e representantes políticos.