
Os motoristas de Mato Grosso do Sul devem enfrentar novos aumentos nos combustíveis no início de 2027. A partir de 1º de fevereiro, o reajuste das alíquotas fixas do ICMS será repassado integralmente aos consumidores, segundo o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis (Sinpetro-MS), Edson Lazarotto.
De acordo com o dirigente, os postos não têm condições de absorver o aumento da tributação, já que o recolhimento do imposto é obrigatório. Na prática, o custo adicional chegará às bombas e elevará as despesas de quem depende do veículo diariamente.
“Quando é imposto, não tem como o empresário reter, ele tem que repassar porque ele tem que pagar o imposto”, afirmou Lazarotto.
Além do reajuste tributário, o setor acompanha com preocupação as mudanças nos benefícios concedidos pelo governo federal para tentar conter os preços dos combustíveis.
Lazarotto alerta que o encerramento das subvenções poderá provocar novas elevações nas bombas. Segundo ele, a tendência é de que os preços subam ainda mais com a retirada desses mecanismos de apoio.
No caso do diesel, entretanto, o governo federal prorrogou por mais 30 dias a subvenção econômica de R$ 2,12 por litro, destinada a produtores e importadores. A medida foi oficializada pela Portaria MF nº 3.181, publicada em 27 de outubro de 2026.
O sindicato demonstra preocupação também com o momento dos reajustes. No início do ano, as famílias precisam conciliar os gastos com combustível com despesas como IPVA, IPTU e mensalidades escolares.
O encarecimento dos combustíveis deverá afetar também o movimento nos estabelecimentos. O Sinpetro-MS projeta uma retração no consumo superior à redução de 10% a 15% normalmente registrada durante o período de férias.
Com os preços mais elevados, a expectativa é de que os motoristas reduzam a frequência dos abastecimentos, provocando queda no volume de vendas nos postos sul-mato-grossenses durante os primeiros meses de 2027.
Antes da entrada em vigor das novas alíquotas, uma reação comum dos consumidores é antecipar o abastecimento para escapar temporariamente dos reajustes.
“O que acontece normalmente é que o consumidor acaba abastecendo dois, três dias antes e enche o tanque”, explicou Lazarotto.
O etanol também deve continuar sendo uma alternativa para quem procura economizar. Segundo o dirigente, o combustível tem atraído motoristas que tentam reduzir os gastos diante dos preços da gasolina.
A atualização foi aprovada pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) e será aplicada em todo o território nacional a partir de 1º de fevereiro de 2027.
Os novos valores fixos serão:
Gasolina e etanol anidro: R$ 1,64 por litro;
Diesel e biodiesel: R$ 1,30 por litro;
Gás de cozinha (GLP): R$ 1,54 por quilo.
O diesel terá o maior aumento proporcional, de aproximadamente 11,1%. Na gasolina, a correção será de 4,5%, enquanto o gás de cozinha terá elevação de 4,8%.
A mudança segue a Lei Complementar nº 192/2022, que estabeleceu a cobrança monofásica do ICMS sobre combustíveis, com valores fixos por litro ou quilo.
Os governos estaduais também acompanham as oscilações do mercado internacional de petróleo e avaliam mecanismos jurídicos para antecipar a atualização dos valores do diesel.
Com a nova tributação, os consumidores sul-mato-grossenses terão mais uma despesa para enfrentar no início do próximo ano. Para os postos, além do repasse obrigatório do imposto, o desafio será manter as vendas diante da possível redução no consumo.