
A CPI do Tapa-Buracos, que pretende investigar os problemas nos serviços de recuperação do asfalto em Campo Grande, deve ser instalada na primeira semana de novembro. Entretanto, antes mesmo de começar, a comissão enfrenta um impasse político na Câmara Municipal: a disputa entre partidos pelas cinco vagas disponíveis.
O presidente do Legislativo, vereador Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), afirma que não há obstáculos jurídicos para a abertura da investigação. O que impede o avanço das articulações é a dificuldade de conciliar os interesses das bancadas, que querem garantir representantes no grupo responsável pela apuração.
PSDB e PP estão entre as legendas que reivindicam participação. O PT, responsável pelo requerimento que solicitou a abertura da CPI, também é considerado na distribuição das cadeiras.
Segundo Papy, a composição precisa respeitar a proporcionalidade partidária. O problema é que a disputa também acontece dentro dos próprios partidos. No PP, por exemplo, três vereadores demonstraram interesse em ocupar uma das vagas, cabendo à bancada escolher quem será indicado.
O presidente da Câmara afirmou que poderá reunir representantes das legendas para solucionar as divergências e concluir a formação do colegiado. A intenção é garantir equilíbrio entre governo e oposição, além de assegurar transparência durante os trabalhos.
A abertura da CPI recebeu a assinatura dos 29 vereadores, em meio às reclamações sobre a qualidade dos serviços de recuperação das ruas. A expectativa é que a investigação esclareça as falhas na execução dos trabalhos e permita identificar responsabilidades diante de um problema que afeta diariamente os moradores da Capital.
Cobranças ao Executivo também marcam sessão
Enquanto a composição da CPI continua em negociação, os vereadores aprovaram nesta terça-feira (3) dois requerimentos cobrando explicações da Prefeitura de Campo Grande.
Um dos pedidos, apresentado pela vereadora Luiza Ribeiro, exige documentos que comprovem o pagamento das emendas parlamentares impositivas previstas no orçamento de 2024. A parlamentar cobra notas de empenho e ordens bancárias referentes aos recursos.
Na justificativa, Luiza destaca que a demora no pagamento se arrasta há dois anos e critica a falta de respostas da administração municipal. Segundo o documento, o atraso impede que demandas sociais sejam atendidas no período previsto.
Outro requerimento, de autoria do vereador Maicon Nogueira, questiona a situação dos cerca de 4 mil aparelhos de ar-condicionado adquiridos para as escolas da Rede Municipal de Ensino, por meio do programa Juntos pela Educação.
O parlamentar quer informações sobre a compra, o armazenamento, a distribuição e a instalação dos equipamentos, além de detalhes sobre o funcionamento e as garantias. A cobrança ocorre após reclamações de comunidades escolares sobre a demora para colocar os aparelhos em operação, principalmente por problemas na infraestrutura elétrica das unidades.
Na mesma sessão, também foi aprovado o projeto de lei que cria o Conselho Municipal de Direitos dos Migrantes Internacionais, destinado a acompanhar e contribuir com a formulação de políticas públicas para essa população.
Com a previsão de instalação da CPI nos próximos dias, a pressão agora recai sobre os vereadores para que resolvam a disputa pelas vagas. A população espera que a investigação ultrapasse as articulações políticas e resulte em respostas concretas sobre as condições das ruas de Campo Grande.