Sábado, 28 de Fevereiro de 2026
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Vereador apresenta requerimento para instauração de CPI direcionada ao padre Júlio Lancellotti

O objetivo é investigar casos de abuso e assédio sexual contra pessoas vulneráveis

14/03/2024 às 10h57
Por: Tatiana Lemes
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Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Nesta quarta-feira (13), o vereador Rubinho Nunes (União Brasil) obteve as assinaturas requeridas e formalizou na Câmara Municipal de São Paulo um pedido de abertura de CPI. O objetivo é investigar casos de abuso e assédio sexual contra pessoas vulneráveis, especialmente usuários de drogas e indivíduos em situação de rua na cidade. O principal foco da comissão será o padre Júlio Lancellotti.

Durante a sessão plenária da Câmara, Rubinho expressou sua gratidão aos colegas pelas assinaturas obtidas e solicitou o apoio dos demais membros do Parlamento. Ele ressaltou que o requerimento ainda precisará passar por duas votações na Casa e obter pelo menos 28 votos favoráveis para a instalação da CPI. Além disso, destacou que será necessário um acordo para que o colegiado receba prioridade em relação a outras proposições pendentes.

“Nosso objetivo é trabalhar pelo requerimento de preferência para que ela seja instalada na Câmara de São Paulo. Desde já, solicito apoio aos demais vereadores no requerimento de preferência para protocolo e instalação agora da CPI”, disse Nunes.

O CASO

No ano anterior, Rubinho Nunes tentou iniciar uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para examinar as atividades de organizações não governamentais (ONGs) na área da Cracolândia. Uma das figuras centrais dessas discussões, que provavelmente seria chamada para prestar depoimento, era o padre Júlio Lancellotti.

O padre está ativamente envolvido nos esforços sociais da Arquidiocese de São Paulo, trabalhando com os moradores de rua que transitam pelo Centro da capital paulista. Contudo, para Rubinho, Lancellotti e "muitos outros" estão se beneficiando politicamente do caos presente na Cracolândia.

Naquela ocasião, o legislador conseguiu o número requerido de assinaturas para formalizar o pedido de instauração da comissão, porém, mais tarde, alguns vereadores retiraram seu apoio ao requerimento.

Além das controvérsias relacionadas às ONGs, o padre se viu envolvido em um episódio polêmico envolvendo um vídeo no qual supostamente ele estava em uma chamada de vídeo com um menor de idade e se envolvia em atividades sexuais explícitas. O presidente da Câmara Municipal de São Paulo na época, o vereador Milton Leite (União Brasil), encaminhou o vídeo à Arquidiocese de São Paulo e ao Ministério Público para investigação.

O vídeo em questão teria sido registrado em 2019, e foram realizadas duas análises periciais sobre o seu conteúdo. Uma delas sugeria que o vídeo foi adulterado, enquanto a outra, afirmava que a gravação era autêntica e não havia sido modificada. O padre, em sua defesa, negou as acusações de envolvimento em atividades íntimas com menores, alegando que tais alegações tinham o objetivo de difamá-lo.

Confira quais foram os 19 vereadores que assinaram o requerimento de abertura:

Adilson Amadeu (União Brasil)
André Santos (Republicanos)
Atílio Francisco (Republicanos)
Cris Monteiro (Novo)
Eli Corrêa (União Brasil)
Ely Teruel (Podemos)
George Hato (MDB)
Fernando Holiday (PL)
Isac Felix (PL)
João Jorge (PSDB)
Major Palumbo (PP)
Marcelo Messias (MDB)
Marlon Luz (MDB)
Milton Leite (União Brasil)
Rodolfo Despachante (PP)
Rute Costa (PSDB)
Sansão Pereira (Republicanos)
Rinaldi Digilio (União Brasil)
Rubinho Nunes (União Brasil)

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