Sexta, 27 de Fevereiro de 2026
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Polícia Federal acelera conclusão de inquéritos contra Jair Bolsonaro

Investigadores visam enviar relatórios à PGR antes das eleições municipais para evitar influências no pleito

03/06/2024 às 08h46
Por: Tatiana Lemes
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Foto: Reprodução
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A Polícia Federal está trabalhando intensamente para concluir os inquéritos que investigam supostos crimes praticados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A meta é finalizar as diligências e encaminhar os relatórios à PGR (Procuradoria-Geral da República) já no próximo mês, antes das eleições municipais. Esse planejamento visa evitar acusações de influenciar o processo eleitoral, caso a PGR opte por denunciar Bolsonaro.

Bolsonaro é alvo de pelo menos cinco inquéritos que tramitam no STF (Supremo Tribunal Federal). Um dos mais relevantes, o das milícias digitais, abrange diversas frentes: além da apuração sobre a suposta tentativa de golpe de Estado, estão sendo investigadas uma possível fraude no cartão de vacinação contra a Covid-19 e a suspeita de venda e recompra de joias recebidas em viagens oficiais.

Esse inquérito foi aberto em julho de 2021 para investigar a produção e a disseminação de conteúdos que atacam as instituições democráticas nas redes sociais. Em março, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, prorrogou pela décima vez o prazo de conclusão por mais seis meses. Na decisão, Moraes destacou a existência de "fortes indícios e significativas provas" de uma organização criminosa com o objetivo de atacar a democracia e o Estado de Direito.

Na investigação sobre a suposta fraude nos dados do Ministério da Saúde referente à Covid-19, Bolsonaro e outras 16 pessoas foram indiciadas em março pelos crimes de associação criminosa e inserção de dados falsos em sistema de informação. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, solicitou mais diligências para esclarecer se o ex-presidente e os demais investigados usaram os certificados falsos para entrar e permanecer nos EUA no fim do mandato.

Investigações Avançadas

O ex-presidente também é investigado no esquema dos presentes, incluindo joias de alto valor, que teriam sido negociadas por seus aliados. A expectativa é que essa apuração seja a primeira a ser concluída, já que agentes da PF recém-retornaram dos EUA, onde colheram depoimentos e acessaram documentos e imagens de câmeras de segurança.

Com a cooperação do FBI, a PF realizou diligências em cidades como Miami, Wilson Grove (Pensilvânia) e Nova York. Segundo as investigações, auxiliares de Bolsonaro venderam ou tentaram vender ao menos quatro itens, incluindo relógios Rolex e Patek Phillipe, para a empresa Precision Watches, totalizando US$ 68 mil, o equivalente a R$ 346.983,60 na época.

Outra investigação em fase de conclusão trata da suposta tentativa de golpe de Estado. Investiga-se que núcleos teriam atuado para disseminar a ocorrência de fraude nas eleições presidenciais de 2022, antes mesmo do pleito, visando viabilizar e legitimar uma intervenção militar, em uma dinâmica de milícia digital. Segundo os investigadores, há "dados que comprovam" que Bolsonaro "analisou e alterou uma minuta de decreto que, tudo indica, embasaria a consumação do golpe de Estado em andamento".

A conclusão e encaminhamento dos inquéritos à PGR antes das eleições municipais visam garantir a imparcialidade e a integridade do processo eleitoral, afastando possíveis acusações de influência política.

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*Com informações O Globo

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