Sexta, 27 de Fevereiro de 2026
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Lula: "Aumento do salário mínimo faz brasileiro ficar mais bonitão e mais gordo" - realidade econômica levanta dúvidas

Discurso do presidente em evento da UFSCar suscita debate sobre viabilidade econômica e credibilidade política

25/07/2024 às 08h22
Por: Tatiana Lemes
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Foto: Reprodução
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Durante a cerimônia de comemoração dos dez anos do campus Lagoa do Sino da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em Buri (SP), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou que o aumento do salário mínimo faria com que o brasileiro médio ficasse "mais bonitão e mais gordo". Embora a fala tenha sido recebida com aplausos pelos presentes, ela levanta uma série de questões sobre a real eficácia e sustentabilidade de tais medidas econômicas.

“A roda-gigante da economia fica girando onde todo mundo possa participar definitivamente. O povo consumindo mais, vai comer mais. Comendo mais, os agricultores vão ter que plantar mais. Plantando mais, a gente vai ter comida mais barata e a gente vai ser mais bonitão, mais gordo e mais saudável neste país”, afirmou Lula. No entanto, críticos apontam que o aumento do consumo nem sempre se traduz em uma economia mais robusta, especialmente em um cenário global de incertezas econômicas e inflação elevada.

A concessão de reajustes reais (acima da inflação) ao salário mínimo foi uma das promessas centrais da campanha de Lula em 2022. O governo estabeleceu uma regra de reajuste que combina o aumento da inflação, medido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), com a variação do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos anteriores. Em abril, o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2025 sugeriu um salário mínimo de R$ 1.502, comparado aos atuais R$ 1.412. No entanto, a eficácia dessa política é questionada, considerando que o aumento do salário mínimo pode pressionar a inflação e aumentar os custos para pequenos empresários, potencialmente resultando em desemprego.

Durante o mesmo evento, Lula fez um apelo à juventude para que entrasse na política, mesmo diante da desilusão com a classe política atual. “Como eu acho que o Brasil está precisando de político de qualidade, de político com P maiúsculo, eu queria dizer a vocês: quando vocês não estiverem acreditando mais em ninguém, quando vocês acharem que todo mundo é ladrão, que o Camilo [Santana, ministro da Educação] é ladrão, que o Lula é ladrão, que o Raduan [Nassar, escritor] é ladrão, que o Paulo Teixeira [ministro do Desenvolvimento Agrário] é ladrão, mesmo quando vocês tiverem pensando tudo isso, ainda assim não desanimem. Entrem na política, porque o político honesto que você deseja está dentro de você”, declarou.

Embora o apelo de Lula para uma participação política ativa dos jovens seja louvável, muitos veem isso como uma tentativa de desviar a atenção dos problemas internos de seu governo e das questões de credibilidade enfrentadas por ele e seus aliados. A corrupção e os escândalos que marcaram as administrações anteriores do PT ainda ecoam na memória coletiva, levantando dúvidas sobre a autenticidade de suas intenções.

Enquanto Lula busca pintar um quadro otimista do futuro econômico e político do Brasil, a realidade mostra que as soluções propostas podem não ser tão simples quanto parecem. O aumento do salário mínimo, embora beneficie muitos a curto prazo, pode acarretar consequências econômicas que exigem uma análise mais profunda e cuidadosa. Da mesma forma, a renovação política, embora necessária, requer mais do que palavras inspiradoras; exige um compromisso genuíno com a transparência, a ética e a justiça social.

Em última análise, as promessas de Lula e seus apelos à juventude devem ser recebidos com um olhar crítico e cético, garantindo que a busca por um Brasil mais justo e próspero não seja apenas um discurso vazio, mas uma realidade tangível e sustentável.

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*Com informações Agência Estado

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