Sexta, 27 de Fevereiro de 2026
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Perseguição à fé cristã? Denúncia ao “Danizinha Protetora” levanta questões sobre liberdade religiosa

Animação cristã enfrentará investigação por suposto preconceito de gênero; debate sobre a laicidade do Estado e a influência religiosa na mídia

26/07/2024 às 10h40
Por: Tatiana Lemes
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Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

A recente denúncia ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) contra a animação “Danizinha Protetora” ilustra um preocupante ataque à liberdade religiosa e uma tentativa de silenciar a expressão cristã em uma emissora pública. A animação, que estreou na Rede Minas na segunda-feira (22), é inspirada na pastora Daniela Linhares e visa ensinar valores cristãos às crianças. No entanto, o Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos (Conedh/MG) alega que o programa promove preconceito de gênero e fere os princípios da laicidade estatal.

A denúncia, baseada em uma propaganda que usa a frase “Menino e Menina: Deus fez os dois para sua glória!” e cores tradicionalmente associadas a gêneros específicos, acusa a animação de apresentar uma visão de mundo “fundamentalista e antipluralista”. O Conedh argumenta que a presença de elementos religiosos em um canal público viola a Constituição e os princípios de um Estado laico, insinuando que a animação representa uma tentativa de doutrinação religiosa.

O presidente do Conedh, Robson Sávio Reis Souza, afirma que a animação reflete uma agenda “preconceituosa” e “discriminatória”, alegando que a presença de valores cristãos na mídia pública é uma afronta ao pluralismo e à diversidade de crenças. Essa visão ignora a realidade de que a liberdade religiosa é um direito fundamental, e o ataque ao “Danizinha Protetora” demonstra uma crescente intolerância a expressões religiosas que não se alinham com uma agenda secularista.

Em defesa da animação, a pastora Daniela Linhares esclareceu que cedeu os direitos autorais à Rede Minas sem qualquer vínculo financeiro e que o programa é uma tentativa legítima de transmitir valores cristãos de maneira acessível e não sectária. A denúncia do Conedh, que também foi direcionada à direção da Rede Minas e ao diretor-presidente da Empresa Mineira de Comunicação (EMC), Gustavo Mendicino, reflete um esforço coordenado para eliminar a presença de conteúdos religiosos na programação pública, atacando o direito fundamental de liberdade de expressão religiosa.

O abaixo-assinado de professores e grupos de direitos humanos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) para a retirada do programa da grade de programação é uma demonstração clara de que há um esforço em curso para erradicar qualquer forma de expressão religiosa da esfera pública. Esse movimento não apenas ameaça a diversidade de crenças, mas também promove uma forma de censura que enfraquece os princípios de um Estado laico ao tentar suprimir a fé cristã sob o pretexto de manter a neutralidade.

A tentativa de censurar “Danizinha Protetora” destaca uma crescente intolerância à expressão religiosa, revelando um preocupante viés contra a fé cristã em instituições públicas. O debate sobre a presença de conteúdo religioso na mídia pública é crucial, e a resposta a essa denúncia pode determinar o futuro da liberdade religiosa e da pluralidade de crenças em nosso país.

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