Domingo, 21 de Julho de 2024
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Pelé morre aos 82 anos "O maior jogador da história do futebol"

Estava internado desde 29 de novembro no Albert Einstein

29/12/2022 às 15h42 Atualizada em 30/12/2022 às 17h48
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Pele estava em tratamento quimioterápico e infecção respiratória
Pele estava em tratamento quimioterápico e infecção respiratória

Edson Arantes do Nascimento morreu aos 82 anos, nesta quinta-feira (29), em São Paulo. Estava internado desde o dia 29 de novembro, quando foi ao hospital para reavaliar o tratamento quimioterápico e diagnosticado com uma infecção respiratória.

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Desde então, o craque estava em cuidados paliativos, recebendo medidas de conforto para aliviar dores e falta de ar. Pelé passou por uma cirurgia para a retirada do tumor em 4 de setembro do ano passado.

Ele chegou ficar estável após a cirurgia, mas teve de retornar para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em 17 de setembro, depois de um quadro de instabilidade respiratória. Quando se recuperou, foi encaminhado para a unidade de tratamento semi-intensivo.

Boletim médico divulgado na última quarta-feira (21), afirmou que Pelé apresentava “progressão da doença oncológica” e que requeria” “maiores cuidados relacionados às disfunções renal e cardíaca”.

Em postagem no Instagram às vésperas do Natal, a filha de Pelé, Kely Nascimento, afirmou que os dois passariam as festividades no hospital e, em tom de brincadeira, disse que transformariam o quarto “em um sambódromo”.

Veja a publicação de Kely em homenagem ao pai, no Instagram:

"Tudo que nos somos é graças a você
Te amamos infinitamente
Descance em paz"

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Trajetória

A importância de Pelé foi tamanha que é possível falar que, a partir dele, o mundo mudou a forma de ver os jogadores e a seleção do Brasil. Foi por causa dele, por exemplo, que os conflitos em Biafra, na Nigéria, e no Congo Belga foram interrompidos por algumas horas em 1969.

Nesse período, os envolvidos aceitaram uma trégua para assistir ao time comandado pelo Rei, o único que pode bradar que foi responsável por parar uma guerra.

Esse foi o tamanho de Pelé, que, em uma época em que a globalização parecia possível apenas na ficção científica, e os salários de jogadores de futebol ainda tinham dimensões terrenas, conseguiu se tornar conhecido nos quatro cantos do planeta e fazer do nome uma marca.

Edson Arantes do Nascimento

Edson Arantes do Nascimento nasceu em 23 de outubro de 1940, na cidade de Três Corações, em Minas Gerais. Era filho de Celeste Arantes com João Ramos do Nascimento, jogador de futebol que, dentro de campo, era chamado de Dondinho, com passagens pelo Fluminense e Atlético Mineiro.

Seu time mais marcante, porém, foi o Vasco de São Lourenço (MG), e por razões extracampo.

No já falido clube mineiro, Dondinho jogava com o goleiro Bilé, cujas atuações animavam seu filho, o jovem Edson, que gritava seu nome em cada boa defesa. Porém, a dificuldade em falar o nome do jogador fez com que as pessoas zombassem do menino, o chamando de variações do nome do goleiro. De “Bilé”, para “Pilé” e depois Pelé.

Pelé começou sua carreira profissional no Santos com apenas 15 anos, estreando e anotando seu primeiro gol em partida contra o Corinthians de Santo André. Porém, na época, seu apelido no Santos era “gasolina”, nome que perduraria por pouco tempo e que seria substituído por seu apelido de infância: Pelé.

Com apenas 16 anos, o jovem que havia feito sua estreia como profissional há menos de um ano, se tornou titular absoluto do Santos, e foi o artilheiro do campeonato paulista de 1957 (17 gols), e ajudou o Brasil a conquista a Copa Rocca.

Seu desempenho com a amarelinha o credenciou para ser convocado para a Copa de 1958 como uma aposta do técnico Vicente Feola, contrariando um psicólogo da época que afirmava que Pelé era muito jovem para a seleção: “Você pode estar certo, mas não sabe nada de futebol, e eu vi o Pelé jogando”. Pelé era diferente e mostrou isso na Copa. Após começar no banco as primeiras duas partidas do torneio, ele e Garrincha iniciaram o jogo contra a União Soviética, que teve o final que se repetiria todas as vezes em que os dois bastiões do futebol atuaram juntos: vitória para o Brasil.

A partir de então, Pelé e Garrincha não saíram mais do time, que rumou até a final desbancando País de Gales, França e os anfitriões suecos na grande final.

A Copa de Pelé

Em 1958, mesmo jovem, Pelé foi peça essencial para o primeiro título do Brasil na Suécia, porém o posto de craque do time era de Didi. Em 1962 uma lesão abreviou sua participação no torneio, assim como em 1966.

Com 29 anos, Pelé sabia que a Copa do México, em 1970, poderia ser sua última em alto nível. Para tal, se preparou como nunca e teve ao seu lado aquela que é considerada a melhor seleção de todos os tempos.

Comandando um time que tinha Tostão, Rivellino, Gérson e Jairzinho, Pelé fez uma Copa irretocável e histórica.

O tri veio, assim como a Taça Jules Rimet, e um gol do camisa 10 na final, após subir mais do que toda a zaga italiana para abrir o placar.

Seu lance mais marcante na final, no entanto, foi a assistência para o gol derradeiro daquele torneio, anotado por Carlos Alberto Torres, na trama ofensiva lembrada como um dos mais belos gols coletivos do futebol. Nos braços do povo mexicano, o Rei se despedia das Copas do Mundo coroado.

Aventura americana

Pelé se despediu oficialmente da seleção brasileira em 1971, aos prantos e sob os gritos de “Fica! Fica!”. Em 1974, foi o momento de se despedir do Santos para entrar em uma aventura que expandiria seus horizontes: popularizar o futebol nos Estados Unidos.

A equipe escolhida foi o New York Cosmos, que ofereceu a Pelé um contrato de três anos com salários de US$ 2,8 milhões por ano, se tornando o jogador o mais bem pago do mundo até então.

A passagem de Pelé nos Estados Unidos causou a quebra de diversos recordes de público para futebol no país. No dia 9 de junho de 1977, 62.394 pessoas foram ver Pelé, marca batida em 14 de agosto de 1977, quando 77.691 pessoas estiveram presentes para o jogo que marcou o recorde de público para futebol na América do Norte até então.

Em campo, o Cosmos faturou o campeonato nacional de 1977, mas foi fora das quatro linhas que a estadia americana trouxe os maiores benefícios a Pelé.

Trapalhões

Pelé também se aventurou pelo cinema, tendo participado de filmes dos Trapalhões. Porém, seu maior feito foi a participação no filme “Fuga para a vitória”, onde foi dirigido pelo lendário John Huston e contracenou com Sylvester Stallone e Michael Cane.

Antes de sua despedida dos gramados de forma oficial, no dia 1º de outubro de 1977, Pelé foi homenageado pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Gol de Placa

Pelé foi responsável por imortalizar algumas tradições no futebol, como a mística da camisa 10 pertencer ao craque do time, o mais técnico e decisivo. Foi graças ao Rei também que no Brasil um belo gol se tornou um “gol de placa”.

Isso por conta de um gol marcado ante o Fluminense, no Torneio Rio-São Paulo de 1961, quando Pelé passou por quatro defensores tricolores e colocou a bola no canto direito do goleiro Castilho.

A plasticidade do lance foi tamanha que o jornalista Joelmir Betting, à época no jornal O Esporte, pediu para confeccionarem uma placa em homenagem ao lance para ser colocada para sempre no Maracanã.

Polêmicas fora de campo

Em 21 de fevereiro de 1966, Pelé se casou com Rosemeri dos Reis Cholbi. Eles tiveram duas filhas e um filho: Kelly Cristina (nascida em 1967), Jennifer (nascida em 1978) e Edson, mais conhecido como Edinho (27 de agosto de 1970).

O casal se divorciou em 1982. Em maio de 2014, Edinho foi preso e condenado a 33 anos por lavagem de dinheiro e narcotráfico. No recurso, a sentença foi reduzida para 12 anos e 10 meses.

De 1981 a 1986, Pelé teve um relacionamento com a apresentadora Xuxa. Ela tinha 17 anos quando começaram a namorar.

Em abril de 1994, ele se casou com a psicóloga e cantora gospel Assíria Lemos Seixas, que deu à luz no dia 28 de setembro de 1996 os gêmeos Joshua e Celeste através de tratamentos de fertilidade. O casal se divorciou em 2008.Pelé teve pelo menos mais dois filhos de antigos relacionamentos. Sandra Machado, que nasceu de um caso que ele teve em 1964 com a empregada doméstica Anizia Machado, que lutou durante anos para Pelé reconhecer a paternidade de Sandra.

Embora tenha sido declarada pelos tribunais como sua filha biológica com base em evidências de DNA em 1993, Pelé nunca reconheceu sua filha mais velha, mesmo depois de sua morte, em 2006, nem seus dois filhos, Octavio e Gabriel, como seus netos.

Pelé também teve outra filha, Flávia Kurtz, em um caso extraconjugal em 1968 com a jornalista Lenita Kurtz. Flávia foi reconhecida por ele como sua filha.

Aos 73 anos, Pelé anunciou sua intenção de se casar com Marcia Aoki, de 41 anos, com quem namorava desde 2010. Eles se conheceram em meados da década de 1980 em Nova York, antes de se encontrarem novamente em 2008. Se casaram em julho de 2016 e permaneceram juntos até a morte do jogador.

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