Sexta, 27 de Fevereiro de 2026
Publicidade

Santuário de Lúcifer no RS levanta debate: Marcha para Exu na Paulista expõe choque de crenças no Brasil

Em um país de maioria cristã, evento em São Paulo e polêmicas recentes no Sul levantam questionamentos sobre os limites da liberdade religiosa

19/08/2024 às 17h00
Por: Tatiana Lemes
Compartilhe:
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

No último domingo (18), a Avenida Paulista foi palco da "Marcha para Exu", um evento que, à primeira vista, celebra a fé e a cultura das religiões de matriz africana. Com o tema "Nunca foi sorte, sempre foi macumba", a marcha atraiu milhares de pessoas que, segundo os organizadores, buscavam desmistificar Exu, frequentemente associado ao diabo, e promover o respeito inter-religioso. No entanto, para muitos brasileiros, o evento também levanta preocupações profundas sobre a crescente aceitação de práticas e simbologias que, em uma nação de maioria cristã, desafiam valores religiosos tradicionais.

O Brasil, um país historicamente católico e com uma crescente população evangélica, se encontra diante de uma encruzilhada. De um lado, a Constituição garante liberdade religiosa; de outro, a promoção de figuras como Exu, que carregam conotações ambíguas, alimenta o debate sobre até que ponto a sociedade deve tolerar práticas que, para muitos, flertam perigosamente com o satanismo.

Essa preocupação se intensifica quando considerada a recente descoberta de um Santuário de Lúcifer no Rio Grande do Sul, que chocou a população e gerou um acalorado debate sobre a proliferação de cultos satanistas no Brasil. Enquanto os organizadores da "Marcha para Exu" insistem que sua fé nada tem a ver com o diabo, a proximidade simbólica entre Exu e figuras demoníacas nas religiões abraâmicas não pode ser ignorada. Para muitos cristãos, eventos como a marcha são vistos como uma afronta direta à fé cristã e uma normalização perigosa de práticas consideradas ocultistas.

O organizador da marcha, Jonathan Pires, afirmou que Exu é amor, caminho e proteção, não o diabo. Contudo, a defesa de Exu como uma figura benevolente é vista por críticos como um esforço para maquiar aspectos da cultura religiosa que, em sua essência, contradizem a doutrina cristã.

Além disso, a crescente visibilidade de eventos como a marcha na Avenida Paulista levanta questões sobre a influência cultural que essas práticas estão ganhando em espaços públicos. Será que estamos assistindo a uma expansão da liberdade religiosa, ou a uma erosão dos valores cristãos que formaram a base da sociedade brasileira?

A questão que surge é se o Brasil está preparado para lidar com o choque entre tradições religiosas estabelecidas e a promoção de práticas que, para muitos, desafiam diretamente a ordem moral. Em meio à polêmica, fica a reflexão: até que ponto a liberdade religiosa deve prevalecer em um país onde a maioria da população ainda se identifica como cristã? A resposta a essa pergunta poderá determinar os rumos da convivência religiosa no Brasil nos próximos anos.

Receba as principais notícias do Brasil pelo WhatsApp. Clique aqui para entrar na lista VIP do WK Notícias.

*Com informações Mídia Ninja

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Quando a Justiça abandona os fatos: audiência de custódia transforma hipóteses em provas contra Bolsonaro
Política Há 3 meses Em Brasil

Quando a Justiça abandona os fatos: audiência de custódia transforma hipóteses em provas contra Bolsonaro

A manutenção da prisão preventiva de Jair Bolsonaro expôs um movimento preocupante: a substituição de fatos por suposições como base para decisões judiciais. Mesmo após esclarecer tecnicamente a questão da tornozeleira e negar qualquer intenção de fuga, a audiência de custódia tratou cenários hipotéticos como verdades consolidadas. O resultado é uma medida extrema sustentada mais pelo ambiente político e midiático do que por elementos concretos.
A Cortina de Fumaça da Tornozeleira: o enredo oculto por trás da prisão de Bolsonaro
Política Há 3 meses Em Brasil

A Cortina de Fumaça da Tornozeleira: o enredo oculto por trás da prisão de Bolsonaro

Enquanto manchetes repetem uma versão simplificada, os documentos, a cronologia e o silêncio sobre relações sensíveis revelam que a tornozeleira pode ter sido apenas o álibi conveniente para uma decisão já tomada.
O silêncio ensurdecedor sobre o Banco Master: por que ninguém pergunta sobre a ligação com a família de Alexandre de Moraes?
Política Há 3 meses Em Brasil

O silêncio ensurdecedor sobre o Banco Master: por que ninguém pergunta sobre a ligação com a família de Alexandre de Moraes?

Enquanto o debate nacional se concentra na tornozeleira de Bolsonaro, relações profissionais sensíveis entre parentes do ministro do STF e um grande banqueiro seguem intocadas. É apenas coincidência — ou parte de uma cortina de fumaça muito conveniente?
 Crise BRB–Banco Master se agrava: liquidação, afastamentos e a missão de Temer expondo fragilidade política para Celina e Ibaneis.
BANCO MASTER Há 3 meses Em Brasil

Crise BRB–Banco Master se agrava: liquidação, afastamentos e a missão de Temer expondo fragilidade política para Celina e Ibaneis.

Após a prisão do controlador do Banco Master e a liquidação da instituição pelo Banco Central, veio à tona que o ex-presidente Michel Temer foi contratado pelo banco para tentar negociar uma solução com o BC. O escândalo levou ao afastamento da cúpula do BRB, alimentou pedidos de CPI e pode ampliar o desgaste político para Celina Leão e Ibaneis Rocha no DF.