Sexta, 06 de Março de 2026
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Riedel alerta sobre aumento de incêndios criminosos em meio à crise climática

Governador defende ação conjunta entre União e Estados para combater queimadas e critica politização do tema

20/09/2024 às 08h40
Por: Tatiana Lemes
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Foto: Reprodução
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Nesta quinta-feira (19), o governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PSDB), esteve em Brasília para discutir soluções emergenciais a respeito da crise das queimadas que afeta o estado. Em entrevista ao canal CNN Brasil, o governador revelou uma preocupação crescente: o aumento sem precedentes de incêndios criminosos, que, segundo ele, diferenciam a crise de 2024 das anteriores. Embora a seca seja uma constante nesta época do ano, Riedel destacou que o número de queimadas provocadas deliberadamente atingiu níveis alarmantes.

“Algo que considero novo na crise deste ano é o número de incêndios criminosos. Eu nunca havia visto essa quantidade como ocorreu agora. Se olharmos para São Paulo, algumas regiões do nosso Estado e até mesmo o norte do país, estamos vendo ações de natureza criminosa que precisam ser investigadas e punidas com muito rigor”, afirmou o governador.

Interesses econômicos e políticos por trás das queimadas

Riedel destacou que as motivações para os incêndios criminosos vão além das condições climáticas adversas. Ele sugeriu que interesses econômicos e até políticos podem estar por trás dessas ações. Segundo o governador, esses atos criminosos precisam ser investigados a fundo, pois comprometem a segurança ambiental e a economia local.

“Acredito que hajam diferentes motivações. Algumas são de cunho político, tanto de direita quanto de esquerda, enquanto outras são puramente criminosas, com interesses econômicos. Essas ações precisam ser investigadas a fundo, e os responsáveis punidos rigorosamente. O Brasil não pode ficar à mercê de atos criminosos sempre que há uma condição climática desfavorável”, declarou Riedel.

Crítica à politização do combate às queimadas

O governador aproveitou a entrevista para alertar sobre os riscos de politizar o combate às queimadas, especialmente em um ano de eleições municipais. Ele reforçou a importância de focar em medidas objetivas e eficazes para enfrentar o problema, ao invés de transformar o tema em ferramenta política.

“Estamos em meio a uma discussão política municipal, mas precisamos deixar de lado a politização e focar nos resultados. Isso inclui prevenir, punir e combater essas ações criminosas de forma efetiva”, afirmou Riedel, destacando que o combate às queimadas deve ser uma prioridade de todos, independentemente de interesses eleitorais.

Integração entre União e Estados

Durante a entrevista, o governador também defendeu a necessidade de uma abordagem integrada entre o governo federal e os Estados para enfrentar a crise das queimadas de forma mais eficaz. Ele elogiou a postura do presidente Lula e de ministros do governo federal, que recentemente visitaram Mato Grosso do Sul para acompanhar de perto a situação e discutir estratégias de combate ao fogo.

“O presidente Lula esteve recentemente em Mato Grosso do Sul com vários ministros, e o foco foi justamente integrar as forças e buscar resultados concretos. Acho que essa tem sido a melhor abordagem, porque sem integração entre os entes federativos, o combate ao fogo se torna menos eficiente”, avaliou o governador.

A crise nacional e o impacto em Mato Grosso do Sul

Riedel enfatizou que a crise ambiental não é exclusiva de Mato Grosso do Sul, mas se espalha por várias regiões do país, como São Paulo e até o norte do Brasil. O impacto das condições climáticas, como a seca severa, tem sido sentido em várias regiões, o que torna a discussão sobre o combate às queimadas uma questão nacional.

“A condição climática atual não é um problema isolado de Mato Grosso do Sul. O país inteiro está enfrentando os efeitos da seca, e é por isso que o debate precisa ser nacional, com a união de todos os entes da federação para alcançar resultados efetivos”, pontuou.

Nos últimos anos, Mato Grosso do Sul tem sido severamente afetado pelas queimadas, especialmente nas regiões do Cerrado e Pantanal. Os incêndios descontrolados causam não só a destruição da fauna e flora locais, como também trazem prejuízos econômicos consideráveis e problemas de saúde para a população, que sofre com a poluição do ar.

Em 2020, o Pantanal registrou o pior índice de queimadas da história, e as expectativas para 2024 são ainda mais alarmantes, com o número de focos de incêndio já superando o registrado em anos anteriores. Diante da gravidade da situação, o governo de Mato Grosso do Sul intensificou as ações de combate ao fogo, com a mobilização de brigadistas e equipamentos, mas o cenário segue crítico.

O governador reiterou a necessidade de ações coordenadas e a importância de tratar a questão das queimadas com a seriedade que a crise exige. Para ele, é fundamental que o país como um todo se mobilize em torno de soluções eficazes, evitando a politização e focando na preservação do meio ambiente e no bem-estar da população.

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