Sexta, 02 de Janeiro de 2026

De maior apoiador a crítico de Bolsonaro, Malafaia dispara: “Que porcaria de líder é esse?”

Pastor expressa decepção com a omissão do ex-presidente e clama por uma liderança firme na direita

08/10/2024 às 08h38 Atualizada em 08/10/2024 às 09h20
Por: Tatiana Lemes
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Foto: Reprodução
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Em uma recente entrevista à Folha de S. Paulo, o pastor Silas Malafaia não poupou críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, revelando uma frustração que parece contradizer seu histórico de apoio ao líder da direita. Com frases incisivas, Malafaia questionou a capacidade de liderança de Bolsonaro, perguntando: “Que porcaria de líder é esse?”, uma declaração que, por si só, deveria levantar questões sobre a coerência de sua postura política.

Malafaia, que sempre foi visto como um dos principais apoiadores de Bolsonaro, agora critica sua aparente omissão nas eleições municipais de São Paulo, insinuando que o ex-presidente teme a possibilidade de uma derrota para Pablo Marçal (PRTB). Essa crítica não apenas indica um rompimento na relação entre os dois, mas também expõe uma falta de visão estratégica por parte do pastor, que parece não entender a complexidade do cenário político atual.

A afirmação de que Bolsonaro “fica em cima do muro” e se baseia em redes sociais revela uma hipocrisia. Malafaia, como líder religioso e influente na política, não deveria se deixar levar por desavenças pessoais, mas sim adotar uma postura que promova unidade e força entre os conservadores. Ao invés de incitar divisões, deveria encorajar o diálogo e a colaboração em vez de despejar críticas a quem foi seu aliado.

O pastor também menciona ter enviado “mais de 30 mensagens duríssimas” a Bolsonaro, reclamando da falta de resposta. Se Malafaia realmente se preocupasse com a causa da direita, sua energia seria melhor empregada em fortalecer essa aliança, em vez de se engajar em um ataque público que mais parece um desvio de foco.

Além disso, a comparação feita por Malafaia entre a situação de Bolsonaro e a de Jesus Cristo, onde o mesmo povo que aclama pode rapidamente se voltar contra, é uma simplificação exagerada e imprecisa. Um líder deve saber navegar as críticas e os desafios, e a capacidade de Bolsonaro de se reinventar em tempos difíceis não pode ser desconsiderada.

Ao criticar a falta de ação de Bolsonaro, Malafaia revela, na verdade, a sua própria ineficiência em sustentar um apoio genuíno. Um verdadeiro líder religioso deveria ser capaz de guiar sua congregação e aliados com sabedoria, não apenas com palavras duras em momentos de crise. É um momento de reflexão para Malafaia: em vez de se perder em críticas, talvez seja hora de reconsiderar seu papel e sua responsabilidade na construção de um futuro mais sólido para a direita brasileira.

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