Sexta, 02 de Janeiro de 2026

PF prepara indiciamento de Bolsonaro e aliados por tentativa de golpe de Estado

Investigação aponta plano detalhado para neutralizar Lula e Alckmin antes da posse

21/11/2024 às 10h31
Por: Tatiana Lemes
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Foto: Reprodução
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A Polícia Federal (PF) deve indiciar o ex-presidente Jair Bolsonaro no inquérito sobre a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Além dele, os ex-ministros Augusto Heleno e Braga Netto, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem, estão na mira das autoridades. A lista de indiciados será encaminhada ainda nesta quinta-feira (21) ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A acusação inclui crimes como tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa. De acordo com fontes da investigação, o plano, batizado de “Punhal Verde e Amarelo”, tinha como objetivo assassinar o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin, e o ministro Alexandre de Moraes.

Plano terrorista com arsenal militar

O plano, considerado pela PF como uma ação de características terroristas, incluía armamentos pesados como pistolas, fuzis, metralhadoras e lança-granadas. Documentos encontrados na casa do general Mário Fernandes detalhavam a logística e monitoramento dos alvos, além de rotas e itinerários de Moraes.

A investigação revelou que os conspiradores planejavam utilizar bombas ou envenenamento para eliminar Lula, explorando sua "vulnerabilidade de saúde". Caso o plano avançasse, o vice-presidente também seria assassinado para inviabilizar a posse da chapa vencedora, considerada "neutralização necessária".

Reuniões e articulações

O planejamento foi debatido em encontros na casa do general Braga Netto, ex-vice na chapa de Bolsonaro, com a participação de militares e assessores, incluindo Mauro Cid, braço direito do ex-presidente. Segundo a PF, os conspiradores calcularam custos de R$ 100 mil para executar a operação, que envolvia arregimentar pessoas do Rio de Janeiro para apoio logístico.

Impacto político e jurídico

A denúncia reforça a gravidade das tentativas de desestabilização democrática após as eleições de 2022. A PF aponta que o plano não apenas desafiava as instituições democráticas, mas também colocava em risco a vida de líderes políticos e autoridades.

Com o indiciamento de Bolsonaro e aliados, o caso avança para o STF, e as consequências podem atingir profundamente a base política do ex-presidente e sua capacidade de mobilização. O país aguarda o próximo desdobramento no cenário jurídico e político.

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*Com informações R7

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