Sexta, 02 de Janeiro de 2026

Segurança de Lula foi alertada pela Abin sobre riscos de ataques antes do 8 de janeiro

Relatórios indicavam ações violentas de bolsonaristas, mas informações não foram devidamente encaminhadas às autoridades

20/12/2024 às 10h48
Por: Tatiana Lemes
Compartilhe:
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Em uma revelação que lança luz sobre os eventos que antecederam os ataques de 8 de janeiro de 2023, documentos mostram que a equipe de segurança de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), composta majoritariamente por policiais federais, recebeu informações detalhadas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) sobre atos que apontavam riscos à ordem pública. Entre as ocorrências destacadas, estão protestos e tentativas de invasões em locais ligados à segurança do presidente eleito, incluindo a tentativa de invasão da sede da Polícia Federal em 12 de dezembro de 2022.

Os relatórios da Abin, entregues à equipe de segurança de Lula no fim de 2022, traziam informações sobre veículos que rondavam o hotel onde o presidente estava hospedado e sobre militantes com potencial perfil agressor. Alguns dos identificados já eram conhecidos por sua participação em atos violentos, como o blogueiro Wellington Sousa, condenado por tentar explodir uma bomba no aeroporto de Brasília.

No entanto, a falta de ação em relação a esses informes se tornou evidente. Mesmo com a realização de um grupo de trabalho (GT de Inteligência Estratégica) que unia a Abin e a Polícia Federal, os documentos não foram plenamente trabalhados, e o monitoramento dos envolvidos nos ataques de janeiro não foi efetivo. O atual diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, então chefe da equipe de segurança de Lula, não encaminhou os relatórios aos responsáveis pela segurança pública no Distrito Federal, limitando-se a uma comunicação verbal.

As investigações da Abin ainda revelaram o envolvimento de figuras como o major aposentado Cláudio Santa Cruz, ligado a um dos acampamentos bolsonaristas em Brasília, e outros participantes de atos violentos, como o protesto em frente ao hotel Meliá. A falha em dar seguimento às informações estratégicas contribuiu para a falta de preparação e a violação da segurança do dia 8 de janeiro.

O relatório da PF, ao ser analisado, conclui que houve falhas na coordenação do fluxo de informações entre a Abin e outras autoridades, prejudicando a prevenção dos ataques.

Receba as principais notícias do Brasil pelo WhatsApp. Clique aqui para entrar na lista VIP do WK Notícias. 

*Com informações Jornal de Brasília

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Quando a Justiça abandona os fatos: audiência de custódia transforma hipóteses em provas contra Bolsonaro
Política Há 1 mês Em Brasil

Quando a Justiça abandona os fatos: audiência de custódia transforma hipóteses em provas contra Bolsonaro

A manutenção da prisão preventiva de Jair Bolsonaro expôs um movimento preocupante: a substituição de fatos por suposições como base para decisões judiciais. Mesmo após esclarecer tecnicamente a questão da tornozeleira e negar qualquer intenção de fuga, a audiência de custódia tratou cenários hipotéticos como verdades consolidadas. O resultado é uma medida extrema sustentada mais pelo ambiente político e midiático do que por elementos concretos.
A Cortina de Fumaça da Tornozeleira: o enredo oculto por trás da prisão de Bolsonaro
Política Há 1 mês Em Brasil

A Cortina de Fumaça da Tornozeleira: o enredo oculto por trás da prisão de Bolsonaro

Enquanto manchetes repetem uma versão simplificada, os documentos, a cronologia e o silêncio sobre relações sensíveis revelam que a tornozeleira pode ter sido apenas o álibi conveniente para uma decisão já tomada.
O silêncio ensurdecedor sobre o Banco Master: por que ninguém pergunta sobre a ligação com a família de Alexandre de Moraes?
Política Há 1 mês Em Brasil

O silêncio ensurdecedor sobre o Banco Master: por que ninguém pergunta sobre a ligação com a família de Alexandre de Moraes?

Enquanto o debate nacional se concentra na tornozeleira de Bolsonaro, relações profissionais sensíveis entre parentes do ministro do STF e um grande banqueiro seguem intocadas. É apenas coincidência — ou parte de uma cortina de fumaça muito conveniente?
 Crise BRB–Banco Master se agrava: liquidação, afastamentos e a missão de Temer expondo fragilidade política para Celina e Ibaneis.
BANCO MASTER Há 1 mês Em Brasil

Crise BRB–Banco Master se agrava: liquidação, afastamentos e a missão de Temer expondo fragilidade política para Celina e Ibaneis.

Após a prisão do controlador do Banco Master e a liquidação da instituição pelo Banco Central, veio à tona que o ex-presidente Michel Temer foi contratado pelo banco para tentar negociar uma solução com o BC. O escândalo levou ao afastamento da cúpula do BRB, alimentou pedidos de CPI e pode ampliar o desgaste político para Celina Leão e Ibaneis Rocha no DF.