Sexta, 02 de Janeiro de 2026

Flávio Dino suspende R$ 4 bilhões em emendas parlamentares e determina investigação

Ministro do STF responde a irregularidades apontadas pelo PSol, questionando falta de transparência e rastreabilidade nas emendas de comissão

23/12/2024 às 09h23
Por: Tatiana Lemes
Compartilhe:
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), tomou uma decisão contundente nesta segunda-feira (23), suspendendo o pagamento de cerca de R$ 4 bilhões em emendas parlamentares. Além disso, determinou que a Polícia Federal iniciasse uma investigação para apurar a liberação desse montante, em resposta a um pedido do PSol, que acusava irregularidades na destinação de R$ 4,2 bilhões em emendas de comissão.

Conforme emendas de comissão, que são recursos destinados aos colegiados temáticos da Câmara dos Deputados e do Senado, não são impositivas e podem ou não serem convertidas na Lei Orçamentária Anual (LOA). A controvérsia surge após 17 líderes partidários enviarem um ofício ao governo federal solicitando a liberação de 5,4 mil emendas sem a dívida de identificação dos parlamentares responsáveis.

Em sua decisão, Dino não fez críticas, destacando o paradoxo entre os cortes de gastos anunciados pelos Poderes Executivo e Legislativo e a falta de transparência e rastreabilidade no uso desses recursos públicos. O ministro ressaltou que a liberação das emendas em meio a esse cenário “não é compatível com a ordem constitucional”, apontando um desrespeito aos deveres legais estabelecidos pelo Congresso Nacional.

Com a decisão, o governo federal fica impedido de executar as emendas de 2025 até que as medidas de transparência e rastreabilidade determinadas pela Suprema Corte sejam cumpridas. Dino também deixou claro que a Advocacia-Geral da União (AGU) informou, em um prazo de 10 dias úteis, detalhes sobre os pagamentos realizados entre agosto e dezembro, incluindo os responsáveis ​​pelo pagamento, os montantes empenhados e os ofícios recebidos referentes às emendas de bancada, comissão e relator.

Em agosto, Flávio Dino já havia suspendido as emendas impositivas, condicionando sua liberação a regras mais rígidas de transparência. Embora tenha liberado a execução das emendas parlamentares no início de dezembro, ele impôs restrições severas, incluindo a exigência de registro detalhado em dados com a identificação dos parlamentares responsáveis ​​por cada emenda.

A medida coloca o governo federal em uma posição delicada, com R$ 5,4 bilhões de emendas de comissão ainda pendentes de compromisso, sendo usados ​​como moeda de troca nas negociações políticas. A suspensão imposta por Dino, além de ser um aviso claro sobre o uso indevido dos recursos públicos, reforça a necessidade urgente de maior controle e responsabilidade na gestão das emendas parlamentares.

Receba as principais notícias do Brasil pelo WhatsApp. Clique aqui para entrar na lista VIP do WK Notícias. 

*Com informações Metrópoles

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Quando a Justiça abandona os fatos: audiência de custódia transforma hipóteses em provas contra Bolsonaro
Política Há 1 mês Em Brasil

Quando a Justiça abandona os fatos: audiência de custódia transforma hipóteses em provas contra Bolsonaro

A manutenção da prisão preventiva de Jair Bolsonaro expôs um movimento preocupante: a substituição de fatos por suposições como base para decisões judiciais. Mesmo após esclarecer tecnicamente a questão da tornozeleira e negar qualquer intenção de fuga, a audiência de custódia tratou cenários hipotéticos como verdades consolidadas. O resultado é uma medida extrema sustentada mais pelo ambiente político e midiático do que por elementos concretos.
A Cortina de Fumaça da Tornozeleira: o enredo oculto por trás da prisão de Bolsonaro
Política Há 1 mês Em Brasil

A Cortina de Fumaça da Tornozeleira: o enredo oculto por trás da prisão de Bolsonaro

Enquanto manchetes repetem uma versão simplificada, os documentos, a cronologia e o silêncio sobre relações sensíveis revelam que a tornozeleira pode ter sido apenas o álibi conveniente para uma decisão já tomada.
O silêncio ensurdecedor sobre o Banco Master: por que ninguém pergunta sobre a ligação com a família de Alexandre de Moraes?
Política Há 1 mês Em Brasil

O silêncio ensurdecedor sobre o Banco Master: por que ninguém pergunta sobre a ligação com a família de Alexandre de Moraes?

Enquanto o debate nacional se concentra na tornozeleira de Bolsonaro, relações profissionais sensíveis entre parentes do ministro do STF e um grande banqueiro seguem intocadas. É apenas coincidência — ou parte de uma cortina de fumaça muito conveniente?
 Crise BRB–Banco Master se agrava: liquidação, afastamentos e a missão de Temer expondo fragilidade política para Celina e Ibaneis.
BANCO MASTER Há 1 mês Em Brasil

Crise BRB–Banco Master se agrava: liquidação, afastamentos e a missão de Temer expondo fragilidade política para Celina e Ibaneis.

Após a prisão do controlador do Banco Master e a liquidação da instituição pelo Banco Central, veio à tona que o ex-presidente Michel Temer foi contratado pelo banco para tentar negociar uma solução com o BC. O escândalo levou ao afastamento da cúpula do BRB, alimentou pedidos de CPI e pode ampliar o desgaste político para Celina Leão e Ibaneis Rocha no DF.