Sexta, 02 de Janeiro de 2026

STF dividido: ritmo acelerado no julgamento de Bolsonaro é incerto

Ministros discordam sobre a rapidez no processo; enquanto alguns apostam em decisões ainda em 2025, outros alertam para complicações e atrasos

05/03/2025 às 11h11
Por: Tatiana Lemes
Compartilhe:
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

O julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outras 33 pessoas no inquérito sobre a tentativa de golpe no país se tornou um campo fértil para disputas internas no Supremo Tribunal Federal (STF). Ministros da Corte estão em desacordo sobre o ritmo com que o caso será conduzido. Enquanto uma ala confia que a denúncia será recebida ainda este mês e o julgamento de mérito ocorra até o fim do ano, outra ala alerta para a complexidade do processo, prevendo um longo caminho até a conclusão.

Em 2023, o STF adotou uma postura de celeridade nos casos relacionados à invasão dos prédios dos Três Poderes, com denúncias sendo aceitas em abril e as primeiras condenações surgindo em setembro. No entanto, para os ministros que acompanham o caso Bolsonaro, o cenário é diferente. Um dos ministros mais experientes da Corte, alertou que o voto do relator, que descreve a conduta de cada investigado, poderá levar até quatro sessões ou mais, dado o perfil dos acusados e a quantidade de detalhes envolvidos.

A presença de um ex-presidente no centro das atenções contribui para a percepção de que o julgamento será mais longo e sujeito a intensos recursos protelatórios. As defesas dos envolvidos, em especial a de Bolsonaro, têm tudo para saturar o tribunal com pedidos para postergar o processo, ampliando o tempo necessário para a decisão final.

Por outro lado, um outro ministro da Corte revelou sua visão mais otimista, acreditando que o processo será resolvido até o ano eleitoral de 2026, um desejo político explícito de encerrar o caso antes da nova corrida presidencial. Contudo, essa previsão esbarra na realidade de que o caso, repleto de complexidades jurídicas, tende a gerar inúmeros "incidentes processuais" e questionamentos de advogados que podem adiar ainda mais o desfecho.

A decisão sobre o ritmo do julgamento de Bolsonaro é um reflexo da tensão entre a urgência política e a natureza processual que exige cautela. A divisão dentro do STF sobre como conduzir o caso lança incertezas sobre os prazos e se o processo realmente poderá ser finalizado a tempo de evitar seu impacto nas eleições de 2026.

Receba as principais notícias do Brasil pelo WhatsApp. Clique aqui para entrar na lista VIP do WK Notícias. 

*Com informações CNN

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Quando a Justiça abandona os fatos: audiência de custódia transforma hipóteses em provas contra Bolsonaro
Política Há 1 mês Em Brasil

Quando a Justiça abandona os fatos: audiência de custódia transforma hipóteses em provas contra Bolsonaro

A manutenção da prisão preventiva de Jair Bolsonaro expôs um movimento preocupante: a substituição de fatos por suposições como base para decisões judiciais. Mesmo após esclarecer tecnicamente a questão da tornozeleira e negar qualquer intenção de fuga, a audiência de custódia tratou cenários hipotéticos como verdades consolidadas. O resultado é uma medida extrema sustentada mais pelo ambiente político e midiático do que por elementos concretos.
A Cortina de Fumaça da Tornozeleira: o enredo oculto por trás da prisão de Bolsonaro
Política Há 1 mês Em Brasil

A Cortina de Fumaça da Tornozeleira: o enredo oculto por trás da prisão de Bolsonaro

Enquanto manchetes repetem uma versão simplificada, os documentos, a cronologia e o silêncio sobre relações sensíveis revelam que a tornozeleira pode ter sido apenas o álibi conveniente para uma decisão já tomada.
O silêncio ensurdecedor sobre o Banco Master: por que ninguém pergunta sobre a ligação com a família de Alexandre de Moraes?
Política Há 1 mês Em Brasil

O silêncio ensurdecedor sobre o Banco Master: por que ninguém pergunta sobre a ligação com a família de Alexandre de Moraes?

Enquanto o debate nacional se concentra na tornozeleira de Bolsonaro, relações profissionais sensíveis entre parentes do ministro do STF e um grande banqueiro seguem intocadas. É apenas coincidência — ou parte de uma cortina de fumaça muito conveniente?
 Crise BRB–Banco Master se agrava: liquidação, afastamentos e a missão de Temer expondo fragilidade política para Celina e Ibaneis.
BANCO MASTER Há 1 mês Em Brasil

Crise BRB–Banco Master se agrava: liquidação, afastamentos e a missão de Temer expondo fragilidade política para Celina e Ibaneis.

Após a prisão do controlador do Banco Master e a liquidação da instituição pelo Banco Central, veio à tona que o ex-presidente Michel Temer foi contratado pelo banco para tentar negociar uma solução com o BC. O escândalo levou ao afastamento da cúpula do BRB, alimentou pedidos de CPI e pode ampliar o desgaste político para Celina Leão e Ibaneis Rocha no DF.