Sexta, 02 de Janeiro de 2026

Defesa de Bolsonaro mira delação de Mauro Cid e exige afastamento de Moraes

Advogados denunciam irregularidades no acordo e pedem redistribuição do caso no STF

07/03/2025 às 08h55
Por: Tatiana Lemes Fonte: Agência Brasil
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Foto: Valter Campanato
Foto: Valter Campanato

Em mais um capítulo polêmico envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, sua defesa protocolou nesta quinta-feira (6) um pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) para anular a delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid. O ex-ajudante de ordens de Bolsonaro é peça central nas investigações da trama golpista denunciada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) no mês passado.

A defesa argumenta que o acordo de colaboração de Mauro Cid carece de "voluntariedade" e está repleto de "mentiras, omissões e contradições". Em um trecho contundente da manifestação, os advogados classificam a delação como “viciada”, solicitando que seja invalidada.

Contestação ao relator e pedidos ao STF

Os advogados também solicitaram o afastamento do ministro Alexandre de Moraes da relatoria do caso, citando o princípio do juiz de garantias, que prevê a separação entre o juiz responsável pela instrução do processo e aquele que profere a sentença.

"A fim de respeitar as regras do juízo de garantias, requer-se a redistribuição dos autos a um novo relator antes do recebimento da denúncia", afirmam na petição.

Além disso, a defesa de Bolsonaro alega falta de acesso total às provas reunidas no processo e pede que o julgamento da denúncia seja realizado pelo plenário do STF, em vez da Primeira Turma.

Prazos e próximos passos

O prazo para as defesas dos denunciados encerra-se nesta quinta-feira (6), com exceção do general Braga Netto e do almirante Almir Garnier, que têm até amanhã para se manifestar. Após a entrega das respostas, o STF deverá marcar o julgamento da denúncia.

Com o desdobramento do caso, a tensão política em torno de Bolsonaro e seus aliados ganha mais um capítulo, mantendo o foco sobre as acusações e as disputas jurídicas que prometem acirrar ainda mais o cenário nacional.

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