Sexta, 02 de Janeiro de 2026

Ressarcimento de aposentados fraudados ameaça congelar PAC e emendas parlamentares

Com Haddad fora, Fazenda endurece postura: “Pagamento dentro do limite fiscal é inegociável”, afirma secretário

05/05/2025 às 09h42
Por: Tatiana Lemes
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Foto: Reprodução
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O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, declarou nesta segunda-feira (5) que o ressarcimento dos aposentados vítimas de fraudes no INSS será condicionado ao respeito ao arcabouço fiscal, colocando em xeque recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e de emendas parlamentares. “A Fazenda quer pagar, mas sem ultrapassar os limites do arcabouço fiscal. Não haverá exceção”, enfatizou Durigan, substituindo o ministro Fernando Haddad em sua ausência.

Com impacto financeiro que pode variar de dezenas de milhões até R$ 6,3 bilhões, segundo estimativas divergentes entre INSS e Controladoria-Geral da União (CGU), o governo enfrenta dificuldades para definir a origem dos recursos. A principal hipótese, de ações regressivas contra fraudadores, esbarra na lentidão judicial, enquanto a pressão de Lula para agilizar o ressarcimento reacende debates sobre cortes no Orçamento.

PAC e emendas na mira

Durigan admitiu que o pagamento pode exigir bloqueios no PAC e nas emendas parlamentares, as maiores fatias do Orçamento. A ideia, porém, gera resistência nos bastidores, enquanto o Ministério da Previdência contesta o uso de seus próprios recursos, já comprometidos com pagamentos de benefícios.

“A forma de pagar é o que menos importa, desde que seja dentro do limite fiscal”, reiterou o secretário, endurecendo o discurso em meio às negociações com outros ministérios.

A decisão final sobre os cortes promete reacender tensões políticas, principalmente entre parlamentares, que têm nas emendas uma ferramenta crucial para suas bases eleitorais.

Risco de desgaste político

Com Lula cobrando rapidez no ressarcimento, o impasse pode gerar desgaste tanto no governo quanto no Congresso. Além disso, a indefinição sobre o montante exato devido às vítimas das fraudes adiciona incertezas à já delicada negociação orçamentária.

O embate entre cumprir promessas e respeitar o teto fiscal promete ser um dos grandes testes para o governo no curto prazo, com impacto direto na popularidade da gestão e na articulação política.

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*Com informações CNN

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