Quinta, 01 de Janeiro de 2026

Catolicismo despenca ao menor índice da história enquanto evangélicos dominam nova geração

Proporção de católicos atinge menor índice desde 1872; jovens e negros impulsionam crescimento evangélico

06/06/2025 às 12h43
Por: Tatiana Lemes
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Foto: Reprodução
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O Brasil, historicamente conhecido como o maior país católico do mundo, enfrenta uma transformação religiosa que ganha contornos cada vez mais evidentes. Dados do Censo Demográfico 2022, divulgados nesta sexta-feira (6) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que a proporção de católicos no país caiu para 56,7% da população, o menor índice registrado desde o início dos levantamentos em 1872. Em contraste, os evangélicos alcançaram um recorde, representando 26,9% dos brasileiros.

A tendência de redução do catolicismo, já apontada em censos anteriores, tem se mostrado gradativa, mas consistente. Em 2010, os católicos somavam 65,1% da população, enquanto os evangélicos eram 21,6%. A virada religiosa é mais marcante entre os jovens: apenas 52% dos brasileiros de 10 a 14 anos se declaram católicos, enquanto 31,6% pertencem a igrejas evangélicas.

Entre os negros, a religião evangélica também se destaca: 30% das pessoas que se autodeclaram pretas seguem essa fé, em contraste com os 60,2% de brancos que ainda se identificam como católicos. Já a população parda apresenta presença significativa tanto entre evangélicos quanto entre os sem religião, outro grupo que vem crescendo no Brasil.

Regionalmente, o Nordeste (63,9%) e o Sul (62,4%) mantêm os maiores percentuais de católicos, enquanto os evangélicos predominam no Norte (36,8%) e no Centro-Oeste (31,4%). O município de Crato, no Ceará, lidera entre as cidades com mais de 100 mil habitantes em proporção de católicos (81,3%), enquanto Manacapuru, no Amazonas, destaca-se como a mais evangélica (51,8%).

Especialistas apontam que a diminuição do catolicismo reflete mudanças sociais e culturais. As igrejas evangélicas, com forte presença em áreas periféricas e rurais, têm se adaptado melhor às necessidades das populações mais vulneráveis. Além disso, a queda entre os jovens sugere desafios para a Igreja Católica em dialogar com as novas gerações.

Apesar de ainda liderar como a maior religião no país, o catolicismo vê seu espaço ser ocupado por uma diversidade crescente de crenças, especialmente nas periferias urbanas e entre grupos historicamente subrepresentados. A transição, embora gradual, reafirma a complexidade e a dinâmica da fé no Brasil.

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*Com informações Metrópoles

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