Sexta, 27 de Fevereiro de 2026
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Tarifa de Trump paralisa exportações e pode derrubar preço da carne em Mato Grosso do Sul

Setor reage com redirecionamento para outros países e possível queda no preço da carne no mercado interno; Governo de MS pede negociação urgente

16/07/2025 às 09h03
Por: Tatiana Lemes
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Foto: Reprodução
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A escalada protecionista do governo norte-americano já gera impactos diretos em Mato Grosso do Sul. Após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, frigoríficos sul-mato-grossenses habilitados para exportação suspenderam a produção destinada ao mercado americano. A medida, segundo o vice-presidente do Sincadems (Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados), Alberto Sérgio Capucci, partiu dos próprios importadores dos EUA, temendo os efeitos da nova política comercial que entra em vigor no dia 1º de agosto.

“Ainda é tudo muito incerto. Os compradores pediram para suspender os embarques porque qualquer mercadoria que sair agora só chegará aos EUA após o início da taxação”, afirmou Capucci. Apesar da decisão, os frigoríficos continuam operando normalmente para o mercado interno e outros países. Apenas a produção voltada aos EUA foi interrompida.

A suspensão afeta diretamente o comércio exterior do Estado. Segundo a Famasul, apenas em 2024, Mato Grosso do Sul exportou aos Estados Unidos cerca de US$ 669,5 milhões, sendo US$ 235,4 milhões em carne bovina. A celulose e o sebo bovino também figuram entre os produtos mais vendidos. Em relação à carne bovina, 15% de toda a produção estadual tem como destino os EUA, mercado considerado estratégico por oferecer preços mais altos.

Com o cancelamento dos embarques, empresas já planejam redirecionar a produção para países como Chile, China e Egito. Porém, segundo o secretário estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento, Jaime Verruck, a realocação internacional não é imediata e deve gerar aumento da oferta interna de carne — o que pode derrubar os preços no mercado local e pressionar os pecuaristas.

“A consequência imediata é o direcionamento da carne para o mercado brasileiro, o que deve impactar o preço final ao consumidor e a cotação da arroba do boi. Isso preocupa a cadeia produtiva”, avaliou Verruck.

De fato, o efeito já começa a ser sentido. Segundo levantamento da Scot Consultoria, o preço da arroba do boi gordo à vista em Campo Grande caiu para R$ 304,50. Em Dourados, está em R$ 303,50, e em Três Lagoas, R$ 301,50.

Para o Governo do Estado, a tarifa imposta por Trump representa uma ameaça à competitividade da indústria sul-mato-grossense e deve ser enfrentada com diplomacia. “Publicamos a Norma de Reciprocidade, que autoriza o Brasil a também taxar produtos americanos, mas o ideal seria abrir negociação. Estamos pedindo a prorrogação da medida para dar tempo de enviar o que já está pronto e buscar novos mercados”, defendeu Verruck.

O setor produtivo teme ainda que a taxação afete outros itens da pauta de exportação, como celulose e produtos florestais, além de gerar alta nos insumos importados usados na indústria brasileira.

Enquanto o impasse não é resolvido, o impacto direto recai sobre frigoríficos exportadores e produtores rurais. Para muitos, o gesto de Trump tem mais cunho político do que técnico, e exigirá articulação urgente do Itamaraty e do Governo Federal para evitar prejuízos bilionários no agronegócio brasileiro.

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*Com informações Midiamax

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