Quinta, 01 de Janeiro de 2026

Governo distribui lucro menor do FGTS e deixa trabalhadores com rendimento abaixo do esperado

Apesar da promessa de valorização do trabalhador, lucro do fundo encolhe 42% em um ano e revela queda na gestão dos recursos

25/07/2025 às 10h52
Por: Tatiana Lemes
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Foto: Reprodução
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O Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) aprovou, nesta quinta-feira (24), a distribuição de R$ 12,9 bilhões do lucro obtido em 2024 para os trabalhadores com contas no fundo. O valor representa uma queda expressiva de 42% em relação ao lucro recorde de 2023, que foi de R$ 23,4 bilhões — mais um revés na narrativa do governo sobre valorização do trabalhador.

O repasse será feito até o dia 31 de agosto, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego. A Caixa Econômica Federal, responsável pelos depósitos, poderá iniciar os créditos ainda em julho. A rentabilidade das contas do FGTS será de 6,05%, acima da inflação de 4,83%, mas aquém do otimismo de anos anteriores.

Mais de 134 milhões de trabalhadores com contas ativas ou inativas no fundo até 31 de dezembro de 2024 terão direito à distribuição, que será proporcional ao saldo existente na data de corte. No total, o ajuste afetará 235 milhões de contas vinculadas ao fundo.

A fórmula de cálculo prevê a multiplicação do saldo da conta pelo índice de 0,02042919. Com isso, quem tinha R$ 5 mil em conta, por exemplo, receberá aproximadamente R$ 302,50 de lucro.

Apesar da movimentação bilionária, o valor creditado não estará imediatamente disponível para saque. Os cotistas só podem acessar o recurso em situações previstas em lei, como demissão sem justa causa, aquisição da casa própria, aposentadoria, ou adesão ao saque-aniversário.

O governo alerta ainda sobre a proliferação de golpes: a Caixa não envia mensagens por redes sociais nem realiza chamadas telefônicas para informar sobre os depósitos. As consultas devem ser feitas pelos canais oficiais — site da Caixa, aplicativo do FGTS, Internet Banking ou pelos telefones 3004-1104 e 0800-726-0104.

O recuo no lucro do fundo reacende discussões sobre a eficiência da administração dos recursos do trabalhador e coloca em xeque a capacidade do governo de manter o FGTS como uma alternativa rentável em tempos de inflação controlada.

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*Com informações Metrópoles

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