Quinta, 01 de Janeiro de 2026

Pressão de Trump e família Bolsonaro põe Supremo à beira do limite

Ministros estudam estratégias para blindar bancos brasileiros de sanções e reduzir influência externa sobre decisões internas

13/08/2025 às 12h16
Por: Tatiana Lemes
Compartilhe:
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

As constantes ameaças da família Bolsonaro e de porta-vozes de Donald Trump aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) têm esgotado a paciência da Corte. Segundo relatos internos, até os magistrados mais contidos consideram inaceitável que recados intimidatórios cheguem todos os dias, exigindo cumprimento de demandas sob ameaça.

Fontes ouvidas afirmam que há consenso sobre a necessidade de dar um basta na “infantilização coletiva” — situação em que ou se atende às exigências externas, ou há retaliação. Uma das alternativas discutidas é a reciprocidade: caso bancos brasileiros sejam punidos pela Lei Magnitsky, instituições estrangeiras que operam no país seriam alvo de medidas equivalentes.

A resposta oficial está sendo elaborada por ação protocolada pelo PT, que busca impedir punições a bancos brasileiros que mantenham contas de sancionados pela Magnitsky. Com oito dos onze ministros no radar de Trump, o STF considera necessário congelar qualquer efeito da medida, forçando as instituições financeiras a escolherem seu posicionamento.

O caso também trouxe à tona debates sobre a dependência do sistema financeiro brasileiro da Amazon Web Services (AWS). Grandes bancos utilizam a empresa americana para infraestrutura, inovação e economia operacional, enquanto empresas como Magazine Luiza investem em alternativas próprias, como a Magalu Cloud, para reduzir custos e dependência. Há ainda discussões sobre substituir o sistema global SWIFT, usado para transações internacionais.

Ministros apontam paralelos com a pandemia, quando o mundo dependia da China para insumos de vacinas. Em paralelo, busca-se distensionar o ambiente político, incluindo a possibilidade de o Congresso votar o projeto de anistia a Jair Bolsonaro, uma das exigências de Trump, para transferir o tema do STF para o parlamento.

Fontes afirmam que, no “jogo de ameaças”, não cabe ao Supremo usar a mesma arma que condena, mantendo cautela na defesa da soberania e da independência da Justiça.

Receba as principais notícias do Brasil pelo WhatsApp. Clique aqui para entrar na lista VIP do WK Notícias e siga nossas redes sociais. 

*Com informações Metrópoles

 

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Quando a Justiça abandona os fatos: audiência de custódia transforma hipóteses em provas contra Bolsonaro
Política Há 1 mês Em Brasil

Quando a Justiça abandona os fatos: audiência de custódia transforma hipóteses em provas contra Bolsonaro

A manutenção da prisão preventiva de Jair Bolsonaro expôs um movimento preocupante: a substituição de fatos por suposições como base para decisões judiciais. Mesmo após esclarecer tecnicamente a questão da tornozeleira e negar qualquer intenção de fuga, a audiência de custódia tratou cenários hipotéticos como verdades consolidadas. O resultado é uma medida extrema sustentada mais pelo ambiente político e midiático do que por elementos concretos.
A Cortina de Fumaça da Tornozeleira: o enredo oculto por trás da prisão de Bolsonaro
Política Há 1 mês Em Brasil

A Cortina de Fumaça da Tornozeleira: o enredo oculto por trás da prisão de Bolsonaro

Enquanto manchetes repetem uma versão simplificada, os documentos, a cronologia e o silêncio sobre relações sensíveis revelam que a tornozeleira pode ter sido apenas o álibi conveniente para uma decisão já tomada.
O silêncio ensurdecedor sobre o Banco Master: por que ninguém pergunta sobre a ligação com a família de Alexandre de Moraes?
Política Há 1 mês Em Brasil

O silêncio ensurdecedor sobre o Banco Master: por que ninguém pergunta sobre a ligação com a família de Alexandre de Moraes?

Enquanto o debate nacional se concentra na tornozeleira de Bolsonaro, relações profissionais sensíveis entre parentes do ministro do STF e um grande banqueiro seguem intocadas. É apenas coincidência — ou parte de uma cortina de fumaça muito conveniente?
 Crise BRB–Banco Master se agrava: liquidação, afastamentos e a missão de Temer expondo fragilidade política para Celina e Ibaneis.
BANCO MASTER Há 1 mês Em Brasil

Crise BRB–Banco Master se agrava: liquidação, afastamentos e a missão de Temer expondo fragilidade política para Celina e Ibaneis.

Após a prisão do controlador do Banco Master e a liquidação da instituição pelo Banco Central, veio à tona que o ex-presidente Michel Temer foi contratado pelo banco para tentar negociar uma solução com o BC. O escândalo levou ao afastamento da cúpula do BRB, alimentou pedidos de CPI e pode ampliar o desgaste político para Celina Leão e Ibaneis Rocha no DF.