Quinta, 01 de Janeiro de 2026

De Deus à urna: a aproximação eleitoral de Janja e Lula com evangélicos

A primeira-dama e o presidente percorrem templos e cultos, focando em marketing político e não na fé genuína da comunidade

10/10/2025 às 11h06 Atualizada em 10/10/2025 às 11h35
Por: Tatiana Lemes
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Foto: Reprodução
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A série de visitas de Janja da Silva a igrejas evangélicas pelo país expõe o que é: uma campanha eleitoral disfarçada de pregação religiosa. Entre cultos em Caruaru (PE), Rio de Janeiro, Salvador, Ceilândia (DF) e até Nova York, a primeira-dama cantou louvores, posou para selfies e exaltou o governo do marido, Luiz Inácio Lula da Silva, tentando se apresentar como “instrumento de Deus”.

O problema é que essa preocupação com os evangélicos não passa de oportunismo. O casal jamais demonstrou interesse genuíno pelo segmento, historicamente negligenciado pelo governo petista. Agora, às vésperas das eleições de 2026, Lula e Janja buscam reparar a rejeição do público evangélico — que mantém 63% de desaprovação à gestão, segundo pesquisa Genial/Quaest — com uma estratégia cuidadosamente montada para conquistar votos.

A aproximação é coordenada por Nilza Valéria Zacarias, conselheira da Presidência, que organiza os encontros da primeira-dama com líderes evangélicos e a participação de Lula em podcasts do segmento. Mas o discurso centrado em políticas sociais e na “importância da mulher na periferia” pouco tem a ver com a fé ou com valores conservadores que mobilizam boa parte dos evangélicos.

Críticos, como o pastor Silas Malafaia, não têm dúvidas: “É tudo marketing para produzir mídia para as redes sociais. Lula vai de encontro aos valores da família, da pátria e dos costumes. A Michelle Bolsonaro é mulher, evangélica e conservadora — é imbatível nesse público”.

A verdade é que, para Janja e Lula, a fé serve apenas como instrumento de persuasão política. O marketing religioso tenta mascarar anos de indiferença, mas dificilmente apagará a percepção de que a aproximação com a comunidade evangélica é eleitoreira e oportunista, não uma preocupação genuína com a vida ou valores dessa parcela da população.

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*Com informações Veja

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