Quinta, 01 de Janeiro de 2026

MPF mira Hugo Motta por funcionária fantasma e aponta possível rombo de R$ 807 mil aos cofres públicos

Presidente da Câmara é alvo de ação popular e investigação por empregar fisioterapeuta que atuava em clínicas privadas enquanto recebia salário parlamentar

06/11/2025 às 10h37
Por: Tatiana Lemes
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Foto: Reprodução
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O Ministério Público Federal (MPF) intensificou a pressão sobre o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), após vir à tona a suspeita de que ele teria mantido uma funcionária fantasma em seu gabinete por oito anos. Segundo documentos obtidos pela investigação, a fisioterapeuta Gabriela Batista Pagidis recebeu mais de R$ 807,5 mil entre junho de 2017 e julho de 2025, mesmo trabalhando paralelamente em duas clínicas particulares em Brasília.

O caso levou o advogado Rafael Severino Gama a ingressar com uma ação popular no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) contra Motta e a União, pedindo que a Justiça anule a contratação, reconheça a ilegalidade e determine a devolução integral dos valores pagos aos cofres públicos.

Em manifestação de 27 de outubro, o procurador da República Harold Hoppe destacou que a exoneração de Gabriela não elimina o possível dano ao erário:

“Embora o ato tenha sido revogado por meio da exoneração da ex-servidora, produziu efeitos jurídicos durante todo o período em que esteve em vigor, devendo ser ressarcido eventual dano ao erário”.

O MPF também rechaçou os argumentos de defesa da Advocacia-Geral da União (AGU), que tentou encerrar o processo alegando falta de interesse judicial, já que Gabriela havia sido exonerada. O órgão, no entanto, entende que o caso pode configurar desvio de finalidade pública e exige apuração completa.

A investigação revela ainda outros casos suspeitos no gabinete de Motta, como o de Ary Gustavo Soares, caseiro de uma fazenda do deputado; Louise Lacerda, estudante de medicina; e Monique Agra Magno, que acumulava cargo público em João Pessoa. Todos teriam recebido salários como assessores parlamentares.

Além disso, uma apuração paralela aponta que a chefe de gabinete de Motta, Ivanadja Velloso Meira Lima, teria poderes para movimentar contas bancárias de dez assessores e ex-assessores, em um esquema que movimentou mais de R$ 4 milhões.

A família Pagidis, ligada à ex-funcionária, também foi amplamente beneficiada: quatro parentes de Gabriela foram nomeados no gabinete do deputado, somando R$ 2,8 milhões em salários.

O caso agora segue em fase de produção de provas, enquanto a Procuradoria da República no Distrito Federal conduz uma investigação preliminar sobre suspeita de rachadinha.

Até o momento, Hugo Motta e a AGU não se pronunciaram sobre as novas acusações.

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