
A corrida pelo Senado em Mato Grosso do Sul já deixou de ser apenas uma disputa eleitoral e se transformou em um verdadeiro campo de batalha político — com rachas internos, imposições de lideranças nacionais e alianças sendo costuradas sob pressão.
No centro do furacão está o PL, partido que, mesmo liderando pesquisas, enfrenta um impasse que pode implodir sua própria estratégia. O trio formado por Reinaldo Azambuja, Capitão Contar e Marcos Pollon disputa duas vagas — o que, inevitavelmente, deixará um nome de fora. E não será uma saída tranquila.
Apesar da vantagem numérica, o partido convive com um conflito interno explosivo. Reinaldo Azambuja aposta em um acordo direto com Jair Bolsonaro e Valdemar da Costa Neto para garantir sua candidatura ao Senado, alinhada à reeleição do governador Eduardo Riedel.
Nos bastidores, porém, a realidade é outra. A intervenção de Michelle Bolsonaro, ao divulgar um bilhete de Bolsonaro indicando Pollon como favorito, caiu como uma bomba no partido. A decisão desmontou articulações já encaminhadas e escancarou a fragilidade da unidade bolsonarista no Estado.
Capitão Contar, que já havia sido anunciado como nome forte, agora se vê ameaçado e depende de pesquisas para sobreviver politicamente. E não é pouca coisa: levantamentos recentes mostram um cenário embolado, com Contar, Azambuja e outros nomes disputando voto a voto.
Já Pollon aposta tudo no apoio direto da família Bolsonaro — especialmente de Michelle e Eduardo Bolsonaro — para se consolidar, mesmo sem unanimidade interna.
O resultado é um partido forte nas pesquisas, mas frágil na articulação. E, em eleição majoritária, divisão pode custar caro.
O risco não é teórico. Analistas já apontam que a fragmentação dentro do PL pode abrir espaço para adversários. A disputa ao Senado em MS segue instável, com múltiplos nomes competitivos e eleitorado ainda indeciso.
Hoje, Reinaldo Azambuja aparece entre os principais nomes, enquanto Capitão Contar mantém forte recall eleitoral e Marcos Pollon tenta crescer com apoio ideológico.
Mas o excesso de candidaturas no mesmo campo político pode dividir votos e facilitar a entrada de nomes fora do eixo bolsonarista.
Enquanto a direita se fragmenta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avança com estratégia oposta: unificação.
Em passagem por Campo Grande, Lula deu aval direto à dobradinha formada por Vander Loubet e Soraya Thronicke — que articula mudança para o PSB, partido do vice-presidente Geraldo Alckmin.
Além disso, o presidente também sacramentou a pré-candidatura de Fábio Trad ao governo do Estado, tentando montar um palanque competitivo e alinhado nacionalmente.
A estratégia é clara: enquanto o PL briga internamente, o PT busca consolidar um bloco coeso.
No meio desse tabuleiro turbulento, nomes periféricos já começam a perder espaço. A vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira, viu sua possível candidatura ao Senado praticamente inviabilizada dentro do PL.
A tentativa de migração para o Partido Novo também fracassou dentro do prazo da janela partidária, deixando a pré-candidata sem definição clara. Agora, terá que reconstruir sua estratégia — possivelmente em um cenário mais modesto.
Com duas vagas em disputa, múltiplos nomes competitivos e interferência direta de lideranças nacionais, Mato Grosso do Sul entra na corrida de 2026 com um dos cenários mais imprevisíveis do país.
De um lado, a direita lidera — mas corre o risco de se autodestruir pela divisão. Do outro, a esquerda tenta se reorganizar sob comando direto do Planalto.
No fim, a eleição ao Senado no Estado deve ser decidida menos por favoritismo e mais por estratégia. E, neste momento, quem errar o cálculo político pode simplesmente ficar fora do jogo.