
A política de Mato Grosso do Sul entrou de vez em modo de rearranjo. Trocas de partidos, negociações intensas e disputas internas estão redesenhando o mapa de forças para as eleições de 2026 — e o movimento mais recente, a saída do deputado federal Beto Pereira do PSDB, simboliza essa virada.
Beto oficializa sua filiação ao Republicanos com um objetivo claro: garantir viabilidade eleitoral para tentar a reeleição e, ao mesmo tempo, fortalecer um novo bloco político no Estado. A articulação foi construída diretamente pelo governador Eduardo Riedel e pelo ex-governador Reinaldo Azambuja junto à cúpula nacional do partido, consolidando uma estratégia de reorganização da centro-direita sul-mato-grossense.
A mudança não é isolada. Pelo contrário: ela faz parte de um movimento mais amplo que envolve a construção de uma nova aliança política, reunindo partidos como PP, PL, União Brasil e agora o Republicanos, com foco na reeleição de Riedel e na eleição de Azambuja ao Senado.
Com a chegada de Beto Pereira, o Republicanos deixa de ser coadjuvante e passa a ocupar papel central no novo tabuleiro político. A legenda também deve receber o vice-governador Barbosinha e outras lideranças estratégicas, ampliando sua força eleitoral e projetando uma chapa competitiva para a Câmara dos Deputados.
A movimentação evidencia um reposicionamento claro: partidos mais alinhados ao grupo governista estão se fortalecendo, enquanto outras siglas enfrentam esvaziamento acelerado.
No centro desse terremoto político está o PSDB. O partido, que por anos foi dominante no Estado, vive hoje um processo de desmanche.
A saída de Beto Pereira não apenas enfraquece a sigla — ela desencadeia uma reação em cadeia. Outros deputados federais já articulam deixar o partido, citando quebra de acordos e falta de perspectiva eleitoral.
Sem suas principais lideranças — já que Riedel migrou para o PP e Azambuja para o PL — o PSDB perdeu comando, protagonismo e capacidade de articulação, abrindo espaço para disputas internas cada vez mais intensas.
Se a saída de lideranças enfraquece o partido por fora, a crise interna o corrói por dentro.
A formação da chapa para deputado estadual virou um campo de batalha. Vereadores de Campo Grande — como Silvio Pitu, Flávio Cabo Almi e Dr. Victor Rocha — deram um ultimato à sigla: não aceitam disputar espaço com todos os deputados estaduais que pretendem permanecer.
Do outro lado, nomes como Pedro Caravina, Jamilson Name e Lia Nogueira resistem e buscam garantir a reeleição dentro do próprio partido.
A disputa é estratégica. Com o aumento do número de candidatos fortes — incluindo possíveis filiações como Paulo Duarte e Ângelo Guerreiro — a conta eleitoral ficou apertada. A estimativa é de que apenas três cadeiras sejam viáveis, o que transforma aliados em adversários diretos.
Sem espaço, os vereadores ameaçam desistir da disputa, o que pode enfraquecer ainda mais a chapa tucana.
Nos bastidores, o clima é de cálculo frio. Cada decisão — sair, ficar ou mudar de partido — está sendo tomada com base na viabilidade eleitoral.
O deputado estadual Lídio Lopes, por exemplo, avalia montar uma chapa própria no Avante ou migrar para outro partido mais competitivo, tentando repetir a estratégia que garantiu sua eleição anterior. A preocupação é clara: o número de votos necessários para conquistar uma vaga deve subir para até 70 mil, elevando o risco para quem não estiver em uma chapa forte.
O cenário atual mostra que a eleição de 2026 já começou — e de forma intensa.
De um lado, um bloco político se reorganiza e ganha força com articulações coordenadas. Do outro, partidos tradicionais como o PSDB enfrentam fragmentação, perda de lideranças e conflitos internos.
No meio disso tudo, políticos de diferentes níveis — vereadores, deputados e lideranças estaduais — travam uma disputa antecipada por espaço, votos e sobrevivência.
O resultado é um cenário de instabilidade e transformação: alianças sendo redesenhadas, partidos mudando de tamanho e uma certeza cada vez mais evidente — a política de Mato Grosso do Sul entrou em uma nova fase, onde ninguém tem posição garantida e cada movimento pode definir o futuro eleitoral.