Quinta, 26 de Março de 2026
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MS vira palco de acordos, disputas e conchavos: alianças de Riedel embaralham forças e expõem guerra por poder

Republicanos cresce nos bastidores, MDB perde espaço, PSDB entra em conflito interno e oposição tenta reagir em meio ao redesenho político para 2026

26/03/2026 às 13h30
Por: Tatiana Lemes
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Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

A política de Mato Grosso do Sul vive um daqueles momentos em que os acordos de bastidores falam mais alto que os discursos públicos. A articulação liderada pelo governador Eduardo Riedel (PP) para as eleições de outubro escancara um cenário de alianças estratégicas, trocas partidárias e, para críticos, um verdadeiro jogo de conchavos para concentração de poder.

O grande vencedor dessa engenharia política é o Republicanos, que sai de uma posição tímida para se tornar protagonista dentro da base governista. A legenda, que tinha apenas um deputado estadual, passa a contar com três parlamentares após atrair nomes como Pedrossian Neto e Renato Câmara, além de ganhar musculatura com a chegada do deputado federal Beto Pereira.

Mais do que isso, o partido ainda deve assumir um dos cargos mais estratégicos da chapa: a vice-governadoria, com Barbosinha como favorito para permanecer ao lado de Riedel.

Nos bastidores, o movimento é visto como uma espécie de “moeda de troca política”: apoio em troca de espaço, influência e protagonismo.

Engenharia política: quem ganha e quem perde

A costura da aliança não aconteceu por acaso. Ela foi fechada em Brasília, em reunião que reuniu Riedel, o ex-governador Reinaldo Azambuja e lideranças nacionais do Republicanos, consolidando um bloco político com forte capacidade eleitoral.

Ao mesmo tempo, outros partidos foram sendo esvaziados no processo.

O MDB, por exemplo, viu ruir o plano de voltar com força à Assembleia Legislativa. A saída de deputados e a migração de quadros enfraquecem diretamente o projeto liderado por André Puccinelli, que apostava em uma bancada robusta para recuperar poder político.

Sem nomes suficientes, o partido perde força estratégica — especialmente porque atingir quatro deputados garantiria poder de travar projetos e influenciar decisões no Legislativo.

Pressão, desistências e “rearranjos” eleitorais

Outro ponto que chama atenção é o nível de interferência nas candidaturas. Lideranças políticas atuaram diretamente para moldar chapas consideradas “mais competitivas”.

Um exemplo claro foi a articulação para convencer a vereadora Isa Marcondes a desistir de disputar vaga na Assembleia e tentar uma cadeira federal — movimento pensado não para fortalecer sua candidatura individual, mas para ajudar o partido a atingir o quociente eleitoral.

Nos bastidores, esse tipo de manobra é visto como cálculo frio: menos protagonismo individual, mais resultado coletivo.

PSDB rachado: disputa interna vira guerra silenciosa

Enquanto isso, o PSDB enfrenta uma crise interna que revela outro lado da política: a briga por espaço.

De um lado, deputados como Jamilson Name e Pedro Caravina querem manter suas candidaturas à reeleição. Do outro, vereadores pressionam por espaço, alegando que serão apenas “escada eleitoral” se os atuais parlamentares permanecerem.

A tensão chegou ao ponto de declarações públicas irônicas e recados diretos, escancarando que a disputa interna pode custar caro ao partido.

Aliança ampla e pragmática: ideologia em segundo plano

O cenário revela uma tendência clara: a política sul-mato-grossense está cada vez mais baseada em articulação pragmática do que em alinhamento ideológico.

O próprio PSD já sinalizou que deve abrir mão de protagonismo para integrar a base de Riedel, focando em sobrevivência política e manutenção de espaços.

No tabuleiro, a lógica é simples: quem não se encaixa na aliança corre o risco de desaparecer politicamente.

Oposição tenta se organizar

Do outro lado, o deputado Fábio Trad se movimenta para disputar o governo pelo PT, após deixar cargo na Embratur com aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Mesmo assim, a oposição ainda aparece fragmentada diante de uma base governista que avança com forte articulação e domínio político.

Bastidores expostos

O que se vê, na prática, é um redesenho completo das forças políticas em Mato Grosso do Sul. Trocas de partidos, desistências estratégicas, promessas de cargos e alianças amplas indicam que a eleição será menos sobre propostas e mais sobre quem consegue montar o tabuleiro mais eficiente.

Nos bastidores, a leitura é direta: não vence quem tem mais votos isolados — vence quem articula melhor os interesses.

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