
A corrida eleitoral de 2026 em Mato Grosso do Sul entrou de vez em ebulição após o deputado federal Vander Loubet (PT) confirmar sua pré-candidatura ao Senado, mudando o equilíbrio de forças e obrigando partidos a recalcularem suas estratégias.
A decisão veio após especulações de que o parlamentar ficaria fora da disputa. Em carta aberta, Vander afirmou que assume o novo desafio com “responsabilidade”, após diálogo com diversos setores da sociedade, e destacou sua trajetória de quase 24 anos na Câmara Federal, com mais de R$ 5 bilhões destinados ao Estado por meio de emendas e projetos.
O movimento não é isolado. Segundo o próprio deputado, a candidatura faz parte de um entendimento coletivo dentro do PT e atende a um pedido direto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reforçando o objetivo de ampliar a presença da legenda no Senado e fortalecer o palanque nacional para 2026.
Se por um lado Vander surge como principal nome do partido na disputa majoritária, por outro sua saída da corrida à reeleição para deputado federal acende um alerta dentro do PT. Tradicional puxador de votos, sua ausência pode dificultar a manutenção das atuais cadeiras da sigla na Câmara.
Nos bastidores, a responsabilidade de sustentar a votação passa a recair sobre a deputada Camila Jara, que ainda busca consolidar densidade eleitoral suficiente para atingir o quociente necessário — estimado em cerca de 172 mil votos. O cenário é considerado desafiador diante da fragmentação partidária e da forte concorrência.
A situação se torna ainda mais complexa com a movimentação dentro da federação partidária formada por PT, PV e PCdoB. A entrada do vereador Marquinhos Trad (PV) na disputa por vaga na Câmara pode alterar a distribuição de votos, já que todos os candidatos da federação competem dentro do mesmo “bolo” eleitoral.
Enquanto o PT tenta reorganizar sua estratégia, o cenário eleitoral em Mato Grosso do Sul se mostra cada vez mais competitivo. Nomes como Rose Modesto, Rodolfo Nogueira, Beto Pereira, Dagoberto Nogueira, Geraldo Resende e Luiz Ovando já se movimentam para a disputa proporcional, elevando o nível de concorrência.
No campo da direita, o ambiente também é de incerteza. Articulações do PL, com influência de lideranças nacionais como Jair Bolsonaro, acabaram esfriando pré-candidaturas ao Senado que envolviam nomes ligados ao bolsonarismo, como os grupos de Rodolfo Nogueira e Marcos Pollon.
A definição de candidaturas no partido passou a depender de critérios como pesquisas eleitorais, o que abriu espaço para o fortalecimento de outras lideranças, entre elas o ex-governador Reinaldo Azambuja, que desponta como peça central nas articulações.
O histórico recente mostra que eleições em Mato Grosso do Sul costumam ser decididas no segundo turno, evidenciando o grau de competitividade no Estado. Esse padrão reforça a expectativa de uma disputa acirrada em 2026, tanto para o governo quanto para o Senado.
Nesse contexto, a entrada de Vander Loubet redefine o jogo político. Ao mesmo tempo em que fortalece o projeto do PT na disputa majoritária, sua decisão cria um efeito dominó na eleição proporcional, amplia a incerteza sobre a composição da Câmara e intensifica a corrida entre diferentes grupos políticos.
Com articulações em andamento, alianças em construção e nomes ainda indefinidos, o cenário em Mato Grosso do Sul segue aberto — e promete uma das disputas mais imprevisíveis dos últimos anos.