
A queda na popularidade e o avanço da oposição nas pesquisas colocaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em alerta máximo e provocaram uma reação acelerada no Palácio do Planalto. Diante do risco de perder força eleitoral, o governo passou a apostar em medidas de forte apelo popular na tentativa de conter o desgaste e reverter o cenário antes de 2026.
Levantamento recente da Quaest escancarou o novo momento político: Lula ainda lidera o primeiro turno com 37% das intenções de voto, mas vê o senador Flávio Bolsonaro (PL) encurtar a distância, com 32%.
O dado mais preocupante, porém, aparece na simulação de segundo turno. Pela primeira vez, o adversário surge numericamente à frente, com 42% contra 40% do petista — ainda dentro da margem de erro, mas suficiente para acender o sinal vermelho no governo.
Nos bastidores, auxiliares admitem que o cenário mudou e que há urgência em reagir. A estratégia adotada foi apostar em medidas que impactem diretamente o dia a dia da população e tenham efeito político imediato.
Entre as principais apostas estão o fim da escala de trabalho 6x1 e a possível revogação da chamada “taxa das blusinhas”, dois temas que ganharam força justamente por atingirem o bolso do eleitor — ponto considerado decisivo para recuperar apoio.
A pressa, no entanto, escancarou o viés eleitoral da estratégia. O governo tentou acelerar a tramitação das propostas no Congresso, inclusive com regime de urgência, movimento que gerou desconforto entre parlamentares e aumentou a tensão com a Câmara.
O cenário se agrava com o desgaste na imagem do governo. A desaprovação já supera a aprovação e cresce inclusive em regiões e faixas do eleitorado que historicamente sustentaram o petismo.
O Nordeste, tradicional reduto eleitoral de Lula, ainda garante vantagem, mas já registra queda nos índices de apoio. Enquanto isso, a rejeição dispara em regiões mais populosas, como Sudeste e Sul, ampliando o risco eleitoral.
Analistas apontam que o momento combina fatores perigosos para o governo: desgaste natural de quem está no poder, piora na percepção econômica e o retorno do antipetismo como força mobilizadora no debate político.
Apesar do cenário adverso, Lula tenta minimizar publicamente a situação e afirma estar “tranquilo” para disputar as eleições.
Nos bastidores, porém, o clima é outro. A avaliação interna é de que o governo precisa agir rápido para evitar que a perda de popularidade se transforme em derrota nas urnas.
Com a oposição crescendo, o eleitor mais crítico e a economia pressionando o humor da população, o Planalto entra em uma corrida contra o relógio — tentando transformar medidas emergenciais em capital político antes que o desgaste se torne irreversível.
O jogo está aberto, mas o recado das pesquisas é claro: se não houver reação imediata, a reeleição pode escapar das mãos de Lula.