
A corrida eleitoral em Mato Grosso do Sul entrou de vez em ebulição com uma sequência de movimentações políticas que escancaram divisões internas, alianças inesperadas e um cenário ainda longe de qualquer definição clara.
O ex-senador Delcídio do Amaral voltou ao radar eleitoral ao não descartar disputar o Governo do Estado. Presidente do PRD em MS, ele já se posiciona como parte de um projeto de oposição à gestão de Eduardo Riedel, mesmo sem confirmação oficial de candidatura. Em pesquisas recentes, Delcídio aparece com índices ainda tímidos, variando entre 5% e 8% das intenções de voto, além de liderar rejeição em alguns cenários .
Enquanto isso, a senadora Soraya Thronicke protagoniza uma das viradas mais marcantes da política estadual. Após deixar o Podemos, ela se filiou ao PSB e passou a integrar o grupo alinhado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em uma mudança estratégica que pode impactar diretamente o equilíbrio das forças no Estado .
A nova posição, no entanto, não veio sem turbulência. A chegada de Soraya ao PSB provocou desconforto interno, especialmente entre lideranças que defendem apoio à reeleição de Riedel. O episódio mais emblemático foi a saída do deputado estadual Paulo Duarte, evidenciando o racha dentro da legenda.
No tabuleiro nacional, Soraya também surpreendeu ao revelar que recebeu carta branca de Lula para focar exclusivamente em sua campanha ao Senado, em uma estratégia que pode ampliar sua autonomia eleitoral no Estado.
A disputa pelo Senado, aliás, é outro ponto de tensão. Pesquisas recentes mostram o ex-governador Reinaldo Azambuja na liderança, abrindo vantagem sobre Capitão Contar e Nelsinho Trad, que aparecem tecnicamente empatados na briga pela segunda vaga .
Já no segundo pelotão, nomes como Soraya e Vander Loubet também disputam espaço, indicando uma corrida fragmentada e com alto índice de indecisos.
Paralelamente, a crise política também atinge o Congresso. O deputado Marcos Pollon enfrenta processo no Conselho de Ética, com pedido de suspensão do mandato após declarações ofensivas, ampliando o clima de tensão institucional.
No meio desse cenário, partidos ainda tentam se reorganizar. O Podemos, por exemplo, segue sem comando definido em Mato Grosso do Sul após a saída de Soraya, evidenciando o efeito dominó provocado pelas mudanças partidárias.
Com alianças sendo redesenhadas, lideranças em conflito e pesquisas ainda voláteis, o que se desenha em Mato Grosso do Sul é uma eleição marcada pela incerteza — onde ninguém tem vitória garantida e qualquer movimento pode redefinir o jogo político.