Sexta, 15 de Maio de 2026

Reforma tributária ameaça sufocar pequenas empresas com novo modelo de impostos e retenção automática

Empresários enfrentam cenário explosivo com juros altos, crédito restrito, aumento de custos e risco de perda de mercado a partir de 2027

15/05/2026 às 16h00
Por: Tatiana Lemes
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Foto: Reprodução
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A reforma tributária, vendida pelo governo como simplificação histórica do sistema de impostos, começa a provocar preocupação crescente entre micro e pequenas empresas brasileiras. Em meio a juros elevados, crédito escasso e aumento dos custos operacionais, empresários agora precisam correr contra o tempo para evitar um cenário de aumento tributário, perda de competitividade e até colapso financeiro provocado pelas novas regras que entram em vigor a partir de 2027. (gazetadopovo.com.br)

Embora as PMEs tenham registrado crescimento de 4,5% na movimentação financeira em relação ao ano passado, segundo levantamento da Omie, os números escondem uma realidade desigual dentro da economia brasileira. Enquanto a indústria de transformação avançou 9,7% no faturamento médio, o comércio amarga o quinto trimestre consecutivo de queda e o setor de infraestrutura segue pressionado pelos juros da Selic em 14,5% ao ano.

Para especialistas, o crescimento atual não elimina o risco estrutural criado pela transição tributária. O economista Maurício Beraldi, da Omie, afirma que a reforma mistura burocracia tributária com estratégia comercial, obrigando empresas a rever completamente a forma de calcular preços, margens e compras.

Na prática, pequenas empresas passarão a depender de controle quase instantâneo da margem líquida após impostos. Qualquer erro no cálculo poderá transformar venda em prejuízo operacional.

Outro impacto direto será na cadeia de fornecedores. Com o novo modelo baseado em créditos tributários, empresas serão pressionadas a comprar apenas de fornecedores que emitam créditos integrais de IBS e CBS. Isso pode marginalizar negócios menores e informais, que perderão competitividade no mercado corporativo.

O Simples Nacional, antes considerado porto seguro das pequenas empresas, agora começa a ser visto como possível armadilha tributária.

Isso porque empresas optantes pelo Simples não permitirão aproveitamento integral dos créditos tributários para seus clientes corporativos. Na prática, muitos compradores poderão preferir fornecedores fora do Simples para reduzir a própria carga tributária.

O resultado é um dilema perigoso para milhares de empresários: permanecer no Simples e correr o risco de perder mercado ou migrar para o modelo híbrido e enfrentar aumento da burocracia, maior carga administrativa e custos tributários mais pesados. (sebrae.com.br)

Especialistas alertam que a escolha do regime tributário deixou de ser apenas uma decisão contábil e passou a exigir análise profunda da posição da empresa dentro da cadeia produtiva.

A situação é ainda mais delicada para prestadores de serviços, como consultorias, auditorias e empresas de engenharia. Como o principal custo dessas atividades é a folha salarial — que não gera créditos tributários — o novo sistema tende a reduzir drasticamente as possibilidades de compensação fiscal.

Além disso, o fim do ISS e sua incorporação ao IBS obrigará empresas a revisar contratos e modelos de precificação para evitar perdas silenciosas de margem.

Mas o ponto considerado mais preocupante por empresários e especialistas é o chamado “split payment”, mecanismo que prevê retenção automática dos impostos no momento do pagamento.

Na prática, o dinheiro do imposto deixará de permanecer temporariamente no caixa das empresas antes do recolhimento — prática que muitas pequenas empresas utilizavam como fôlego para capital de giro.

Com isso, a liquidez das PMEs passará a ser pressionada diariamente. Sem reservas financeiras robustas, muitas empresas poderão enfrentar dificuldade imediata para pagar fornecedores, salários e despesas operacionais.

Especialistas apontam que o risco de colapso financeiro por insuficiência de caixa é real para negócios que não conseguirem reorganizar rapidamente o fluxo financeiro antes da implementação completa da reforma. (infomoney.com.br)

A antecipação da decisão sobre o regime tributário para setembro de 2026 aumentou ainda mais a pressão sobre empresários e contadores, que agora têm poucos meses para revisar estruturas fiscais, simular cenários e tentar evitar impactos mais severos.

Embora o governo defenda que a reforma busca simplificar impostos e reduzir distorções históricas, o setor produtivo teme que a transição acabe transferindo aos pequenos empresários uma conta pesada justamente no momento em que crédito caro, inflação de custos e desaceleração econômica já sufocam grande parte das empresas brasileiras.

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