
Mesmo sem ser considerado um dos principais redutos eleitorais do PT, Mato Grosso do Sul entrou definitivamente no radar estratégico do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a disputa de 2026. A avaliação da direção nacional petista é de que cada voto poderá ser decisivo em uma eleição que promete ser extremamente apertada.
Durante visita ao Estado nesta semana, o secretário-geral nacional do PT, Henrique Fontana, deixou claro que o partido pretende tratar Mato Grosso do Sul como prioridade eleitoral. Segundo ele, a projeção do partido é de uma disputa nacional definida por margem mínima de votos.
“Nós estamos nos preparando para enfrentar uma eleição muito disputada. Trabalhamos com a ideia de que a eleição poderá ser definida por 1 milhão de votos”, afirmou o dirigente petista ao defender crescimento da votação de Lula em Mato Grosso do Sul.
No segundo turno de 2022, Lula recebeu 599 mil votos no Estado, equivalente a 40,5% do eleitorado sul-mato-grossense. Agora, a meta do PT é ampliar esse desempenho apostando na construção de um palanque estadual competitivo.
A principal aposta do partido é a pré-candidatura do ex-deputado federal Fábio Trad ao governo do Estado, ao lado da professora aposentada Gilda Maria dos Santos. Henrique Fontana afirmou que pesquisas qualitativas internas apontam potencial de crescimento da candidatura petista e possibilidade de chegada ao segundo turno.
Além do governo estadual, o PT quer ampliar sua força no Congresso Nacional. A estratégia inclui eleger três deputados federais e duas vagas ao Senado em Mato Grosso do Sul, fortalecendo a bancada alinhada ao presidente Lula.
Enquanto o PT tenta ampliar espaço no Estado, a direita sul-mato-grossense também vive intensa reorganização interna. O governador Eduardo Riedel vem demonstrando, nos bastidores e em agendas públicas, quais devem ser suas preferências políticas para a composição do futuro palanque ao Senado.
Durante evento em Jardim, chamou atenção a ausência do ex-deputado Capitão Contar, adversário de Riedel na disputa estadual de 2022. Enquanto o governador esteve cercado por prefeitos, parlamentares e aliados políticos, quem ganhou espaço ao lado dele foi o senador Nelsinho Trad, que aproveitou o evento para reforçar alinhamento com o governo estadual.
Nos bastidores, lideranças políticas já interpretam os movimentos como sinais claros de que Riedel trabalha para consolidar uma composição envolvendo o ex-governador Reinaldo Azambuja e Nelsinho Trad para a disputa ao Senado.
A aproximação entre o PSD de Nelsinho e o grupo político do governador vem ficando cada vez mais evidente em agendas pelo interior. O senador intensificou presença em feiras agropecuárias, cavalgadas e encontros municipalistas, buscando consolidar bases regionais enquanto o cenário eleitoral começa a ganhar forma.
Por outro lado, o isolamento político de Capitão Contar nas agendas institucionais reforça a percepção de que Riedel evita abrir espaço excessivo para um nome que ainda possui forte identidade própria dentro do eleitorado bolsonarista.
No campo da centro-esquerda, outro movimento que provocou ruído político foi a chegada da ex-senadora e ex-ministra Simone Tebet ao PSB. A mudança gerou irritação entre lideranças históricas do partido em São Paulo, principalmente ligadas a Márcio França e Tabata Amaral, que esperavam protagonismo na disputa ao Senado paulista.
Nos bastidores, integrantes do PSB reclamam que Simone, sem histórico partidário na legenda, teria recebido apoio direto de Lula e Geraldo Alckmin para disputar a vaga ao Senado em São Paulo, atropelando antigos quadros socialistas.
A movimentação reforça como o cenário político de Mato Grosso do Sul e suas lideranças voltaram a ganhar importância no tabuleiro nacional. Com Lula buscando cada voto possível, Riedel consolidando alianças estratégicas e a direita tentando reorganizar suas forças internas, o Estado entra de vez no centro das articulações para 2026.