
A disputa pelas vagas do Partido Liberal ao Senado em Mato Grosso do Sul entrou em uma semana decisiva e já expõe um cenário de tensão interna dentro da direita sul-mato-grossense. Com pesquisas qualitativas e quantitativas em andamento, o partido tenta medir quem realmente tem força eleitoral para sobreviver à corrida de 2026 sem provocar um racha no eleitorado conservador.
O presidente estadual do PL, Reinaldo Azambuja, confirmou que os levantamentos feitos pelos institutos Paraná Pesquisas e Quaest serão determinantes para a escolha final dos candidatos da legenda ao Senado.
A guerra interna envolve quatro nomes diretamente ligados ao campo bolsonarista: o próprio Azambuja, o deputado federal Marcos Pollon, o ex-deputado estadual Capitão Contar e Gianni Nogueira.
Nos bastidores, o PL tenta evitar que a disputa vire uma batalha de egos capaz de dividir ainda mais a direita no Estado justamente no momento em que o grupo busca se consolidar nacionalmente para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026.
As pesquisas mais recentes mostram Azambuja e Contar em posição mais competitiva na corrida ao Senado, enquanto Pollon e Gianni ainda tentam ampliar espaço dentro do eleitorado conservador.
Levantamento do Novo Ibrape divulgado neste ano colocou Azambuja na liderança da disputa ao Senado em Mato Grosso do Sul, seguido por Contar e pelo senador Nelsinho Trad. Pollon e Gianni aparecem mais atrás nas intenções de voto.
A definição dos nomes virou peça-chave dentro da estratégia nacional do PL, principalmente após o crescimento das tensões entre diferentes alas bolsonaristas espalhadas pelo país.
Enquanto o PL tenta organizar a própria casa, a senadora Tereza Cristina voltou a ser colocada no centro das articulações da direita para a disputa presidencial de 2026. O nome da ex-ministra da Agricultura vem sendo ventilado tanto para uma eventual candidatura nacional quanto para compor como vice em uma chapa conservadora.
Mesmo evitando assumir postura de pré-candidata, Tereza deixou claro que o maior problema da direita hoje é justamente a fragmentação interna. O alerta ocorre num momento em que nomes como Flávio Bolsonaro, Romeu Zema e Ronaldo Caiado disputam espaço no mesmo campo político.
Aliados de Flávio Bolsonaro defendem Tereza Cristina como uma possível vice justamente para ampliar a força do eleitorado feminino e reforçar a conexão com o agronegócio, setor onde a senadora mantém forte influência política.
No cenário estadual, Tereza também minimizou especulações sobre um possível isolamento político da prefeita Adriane Lopes após o recente jantar entre vereadores e o governador Eduardo Riedel. A leitura dentro do grupo governista é de que os movimentos já fazem parte da preparação para a eleição de 2026, principalmente em Campo Grande, maior colégio eleitoral do Estado.
Com pesquisas em andamento, disputa por protagonismo e pressão crescente por unidade, a direita sul-mato-grossense entra agora em uma fase decisiva onde cada movimento poderá definir não apenas os nomes ao Senado, mas também o equilíbrio de forças dentro do bolsonarismo em Mato Grosso do Sul.