Sexta, 29 de Maio de 2026
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Receita cresce, mas pressão aumenta: vereadores cobram resultado nas ruas e serviços em Campo Grande

Com arrecadação acima de R$ 1,28 bilhão, Câmara questiona aumento do IPTU, rombo na saúde, gastos com pessoal e falta de resposta para problemas enfrentados pela população

29/05/2026 às 14h05
Por: Tatiana Lemes
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Foto: Divulgação
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A Câmara Municipal de Campo Grande transformou a audiência pública de prestação de contas da Prefeitura, realizada nesta sexta-feira (29), em um duro termômetro da insatisfação com os serviços públicos da Capital. Apesar do crescimento de 4,32% na arrecadação municipal nos quatro primeiros meses de 2026, vereadores cobraram explicações sobre a falta de resultados práticos para a população em áreas como saúde, tapa-buraco, limpeza urbana e infraestrutura.

Segundo os dados apresentados pela Secretaria Municipal de Fazenda, o Município arrecadou R$ 1,28 bilhão entre janeiro e abril deste ano, contra R$ 1,23 bilhão no mesmo período de 2025. Mesmo assim, parlamentares apontaram que o aumento da receita não tem sido percebido pela população no dia a dia.

O presidente da Comissão de Finanças e Orçamento, vereador Otávio Trad, levantou questionamentos sobre o impacto do reajuste do IPTU e o resultado considerado tímido na arrecadação do imposto. A receita do IPTU somou R$ 367,1 milhões no período, alta de apenas 0,34% em relação ao ano anterior, mesmo após mudanças nos descontos e aumento nos valores cobrados dos contribuintes.

Otávio também cobrou resultados da reforma administrativa anunciada pela prefeita Adriane Lopes, que prometia economia de R$ 200 milhões. Segundo ele, houve pequena redução no índice prudencial da folha de pagamento, mas o efeito ficou “muito aquém” da meta apresentada pela gestão.

A vereadora Luiza Ribeiro fez um dos discursos mais duros da audiência ao afirmar que a população não consegue enxergar retorno compatível com o crescimento da arrecadação municipal.

“Como explicar para a população que a receita cresce, mas falta remédio, falta vaga hospitalar, falta tapa-buraco e limpeza urbana?”, questionou.

O vereador Ronilço Guerreiro reforçou o tom crítico e afirmou que “o brilho no olhar da população diminuiu”. Segundo ele, a cidade vive sensação de abandono diante da demora nos serviços básicos.

“As pessoas estão tristes porque o buraco não é tampado. Buscam atendimento e a fila continua enorme nos postos de saúde”, declarou.

Outro ponto que acendeu alerta foi a situação fiscal da folha de pagamento. Os gastos com pessoal aumentaram 15% no primeiro quadrimestre e já comprometem 53,9% da Receita Corrente Líquida, acima do limite prudencial estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal, que é de 51,3%.

O vereador Maicon Nogueira alertou para o risco de a Prefeitura ficar impedida de conceder reajustes aos servidores caso o índice continue subindo. Ele também criticou a redução proporcional dos investimentos em saúde, que passaram de 36% em 2025 para 22,8% neste ano.

“Por isso falta dipirona, falta servidor e faltam insumos nas unidades de saúde”, disparou.

Durante a audiência, o secretário municipal de Fazenda, Isaac de Araújo, admitiu atrasos em pagamentos de fornecedores, principalmente na área da saúde, embora tenha negado que a dívida acumulada alcance R$ 200 milhões.

Segundo ele, a Prefeitura tenta negociar cronogramas para regularizar pagamentos e equilibrar receitas e despesas. O secretário atribuiu parte da pressão financeira ao crescimento vegetativo da folha salarial, especialmente na educação, além de demandas judiciais e aumento das despesas da saúde.

Os vereadores também demonstraram preocupação com a estagnação dos repasses de ICMS para Campo Grande, que permaneceram em R$ 174 milhões no período, enquanto os custos da máquina pública seguem aumentando.

Além da prestação de contas, a Câmara aprovou nesta semana 13 projetos considerados de impacto social e comunitário. Entre eles, o projeto que amplia regras para garantir isenção de IPTU a aposentados e moradores de habitação popular de baixa renda, proposta defendida pelo vereador Carlão.

Os vereadores também aprovaram campanhas como “Morte Zero no Trânsito” e “Cobertor Pet”, além da criação do Dia Municipal de Reflexão e Memória pelas Vítimas de Feminicídio, marcado para 12 de fevereiro.

Mesmo com a aprovação dos projetos, o clima predominante na Câmara foi de cobrança por mais eficiência na aplicação dos recursos públicos. O aumento da arrecadação, sem reflexo imediato na qualidade dos serviços, ampliou a pressão política sobre a administração municipal.

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