
Os desdobramentos da CPI do Transporte Público realizada pela Câmara Municipal de Campo Grande começam a produzir efeitos concretos e aumentam a pressão sobre o Consórcio Guaicurus. A audiência pública promovida pela Prefeitura nesta semana reforçou conclusões já apontadas pelos vereadores e aproximou a possibilidade de uma intervenção no sistema de transporte coletivo da Capital.
Instalada para investigar a qualidade do serviço prestado à população, a Comissão Parlamentar de Inquérito concluiu seus trabalhos recomendando a substituição imediata de 197 ônibus que circulam acima da idade máxima permitida pelo contrato de concessão. Além disso, o relatório final sugeriu uma intervenção no Consórcio Guaicurus para garantir o cumprimento das obrigações assumidas com o município.
As conclusões da CPI ganharam ainda mais peso após os levantamentos realizados pela comissão especial criada pela Prefeitura para analisar a concessão. Os estudos do Executivo confirmaram diversos problemas já identificados pelos vereadores, incluindo falhas operacionais recorrentes e a necessidade urgente de renovação da frota para reduzir a idade média dos veículos para cinco anos.
Durante a audiência pública, números apresentados pela Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) evidenciaram a dimensão da crise. Entre 2021 e 2025, o Consórcio Guaicurus acumulou 12,2 mil autuações por descumprimento de horários e outras 3,4 mil por omissão de viagens, situação que afeta diretamente milhares de usuários que dependem diariamente do transporte coletivo.
Presidente da Câmara Municipal, o vereador Papy destacou que os avanços nas discussões são resultado direto do trabalho realizado pela CPI. Segundo ele, a investigação enfrentou um tema considerado sensível e produziu um relatório robusto, baseado em mais de 50 horas de depoimentos e análises técnicas.
Para o vereador Junior Coringa, integrante da comissão, a audiência pública representa uma das primeiras respostas concretas às denúncias e reclamações levantadas durante as investigações. Ele avalia que a comissão criada pela Prefeitura poderá ter papel decisivo tanto em uma eventual intervenção quanto na abertura de um novo processo para escolha de uma empresa responsável pelo serviço.
Já a vereadora Luiza Ribeiro ressaltou que a crise do transporte coletivo exige união entre os Poderes para encontrar soluções definitivas. Segundo ela, a CPI cumpriu o papel de aprofundar as investigações sobre um dos problemas mais graves enfrentados pela população campo-grandense e apontar caminhos para a melhoria do sistema.
Com a audiência pública encerrando os trabalhos da comissão especial do Executivo, a expectativa agora gira em torno do relatório técnico que será entregue à prefeita Adriane Lopes nos próximos dias. O documento deverá indicar as medidas administrativas e jurídicas que poderão ser adotadas em relação ao contrato de concessão.
Após anos de reclamações sobre atrasos, superlotação, ônibus antigos e falhas operacionais, a decisão da Prefeitura poderá marcar um ponto de virada na história do transporte coletivo de Campo Grande. O que era apenas uma investigação parlamentar agora se transforma em pressão concreta por mudanças em um serviço considerado essencial para a população.