Segunda, 06 de Julho de 2026

Intervenção reforça crise no Consórcio Guaicurus e aproxima fim da concessão em Campo Grande

Primeiro diagnóstico revela dívida superior a R$ 20 milhões, frota sucateada, falhas de gestão e descumprimentos contratuais; vereadores defendem mudanças definitivas no transporte coletivo

06/07/2026 às 14h35
Por: Tatiana Lemes
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Foto: Izaias Medeiros
Foto: Izaias Medeiros

A intervenção da Prefeitura de Campo Grande no Consórcio Guaicurus começou a revelar um cenário que reforça as conclusões da CPI do Transporte Coletivo da Câmara Municipal. Em reunião realizada nesta segunda-feira (6), a equipe interventora apresentou aos vereadores os primeiros resultados dos trabalhos iniciados em 16 de junho, apontando problemas financeiros, administrativos e operacionais que colocam em xeque a continuidade da atual concessionária à frente do transporte coletivo da Capital.

O levantamento preliminar identificou uma dívida superior a R$ 20 milhões em uma das empresas que integram o consórcio, além de sistemas de gestão considerados ultrapassados, frota envelhecida, ausência de manutenção preventiva e indícios de descumprimento de cláusulas do contrato de concessão. Segundo os interventores, a prioridade inicial foi garantir a continuidade do serviço e evitar paralisações antes do início da auditoria financeira, contratual e operacional.

Presidente da Câmara Municipal, o vereador Papy (Epaminondas Neto) afirmou que a expectativa da população é por uma mudança efetiva no sistema. Ele destacou que o transporte coletivo pertence ao município e que a empresa contratada deve atender aos interesses dos usuários, defendendo que o atual modelo demonstra sinais de esgotamento. Na avaliação do parlamentar, a intervenção pode culminar na caducidade da concessão, mecanismo que extingue antecipadamente o contrato por descumprimento das obrigações previstas.

Papy também ressaltou que o trabalho desenvolvido pela CPI do Transporte Coletivo foi determinante para impulsionar as medidas adotadas pela prefeitura. Segundo ele, o relatório produzido pelos vereadores fortaleceu as decisões administrativas e contribuiu para que os órgãos responsáveis aprofundassem as investigações sobre a concessão.

O interventor-geral Alexandro Adriano Lisandro de Oliveira informou que a equipe já identificou graves deficiências na gestão operacional do consórcio. Entre os problemas estão sistemas administrativos antigos, impacto na eficiência da operação e aumento dos custos. A auditoria também investiga a evolução financeira do contrato ao longo dos anos para verificar possíveis irregularidades e subsidiar a decisão final da prefeitura. O relatório conclusivo deverá ser entregue em dezembro, após 180 dias de intervenção, enquanto a decisão administrativa está prevista para janeiro de 2027.

Relatora da CPI do Transporte Coletivo, a vereadora Ana Portela voltou a cobrar maior rigor na fiscalização por parte da Agetran e da Agereg. Ela defendeu que qualquer novo contrato seja acompanhado com fiscalização permanente para impedir a repetição dos problemas identificados na atual concessão, afirmando que o interesse do cidadão deve prevalecer sobre falhas administrativas e contratuais.

A CPI da Câmara, concluída em 2025 após mais de 50 horas de oitivas públicas e análise de documentos técnicos, financeiros e operacionais, recomendou a substituição imediata de 197 ônibus acima da idade permitida, a intervenção no Consórcio Guaicurus e a abertura do processo de caducidade da concessão. As conclusões da comissão agora servem como uma das principais bases para os trabalhos da equipe interventora e para a decisão que poderá definir o futuro do transporte coletivo de Campo Grande.

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