
A menos de uma semana do início das convenções partidárias, o cenário político de Mato Grosso do Sul entra em sua fase mais decisiva. Enquanto o governador Eduardo Riedel (PP) consolida uma ampla frente de apoio para disputar a reeleição, os bastidores dos partidos seguem marcados por negociações, definições de candidaturas e disputas internas que podem influenciar diretamente o tabuleiro eleitoral de outubro.
A principal movimentação ocorre no grupo governista. A convenção do Progressistas está marcada para o dia 1º de agosto e servirá para oficializar a candidatura de Riedel à reeleição e anunciar a coligação formada por seis partidos: PP, União Brasil (por meio da Federação União Progressista), PL, PSDB, MDB, Republicanos e Avante.
A composição fortalece significativamente o projeto de reeleição do governador. Além de reunir algumas das maiores siglas do Congresso Nacional, a aliança deverá concentrar mais de 60% do tempo da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, além da maior fatia dos recursos públicos destinados às campanhas. O peso político da coligação também amplia a capacidade de mobilização em todas as regiões do Estado.
Em comparação com a eleição de 2022, quando Riedel disputou o Governo ao lado de sete partidos, a nova composição mantém praticamente toda a espinha dorsal da aliança vencedora, mas agora com uma reorganização partidária provocada pela criação da Federação União Progressista, que uniu PP e União Brasil.
Enquanto a base governista trabalha para demonstrar unidade, o PL tenta colocar fim às disputas internas envolvendo a corrida pelas vagas ao Senado. Nos bastidores, aliados do ex-deputado estadual Capitão Contar tratam como superada a disputa com o deputado federal Marcos Pollon e avaliam que os recentes gestos do presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, reforçam o espaço político conquistado por Contar.
Já Pollon mantém discurso de enfrentamento nas redes sociais e critica a cobertura da imprensa, enquanto a direção estadual do partido, comandada pelo ex-governador Reinaldo Azambuja, evita antecipar qualquer definição e continua sustentando que a escolha dos candidatos será baseada em pesquisas e no consenso interno.
Outro partido que acelera os preparativos é o PSDB. A legenda marcou para o próximo dia 21 de julho uma reunião reservada, em Campo Grande, destinada exclusivamente aos pré-candidatos às chapas proporcionais para deputado federal e deputado estadual. Segundo o presidente regional da sigla, deputado Pedro Caravina, o encontro terá caráter interno e antecederá o grande ato político da coligação liderada por Eduardo Riedel.
As articulações ocorrem às vésperas da abertura oficial do período de convenções partidárias. Conforme o calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), entre os dias 20 de julho e 5 de agosto os partidos deverão oficializar candidatos, definir coligações e encaminhar toda a documentação necessária para o registro das candidaturas. Também será iniciado o processo de obtenção de CNPJ das campanhas, abertura de contas bancárias específicas e divulgação dos limites oficiais de gastos eleitorais.
Nos bastidores, dirigentes partidários admitem que os próximos dias serão decisivos para concluir alianças, fechar chapas competitivas e garantir o cumprimento de todas as exigências legais. Com as convenções prestes a começar, Mato Grosso do Sul entra definitivamente no ritmo da campanha eleitoral, em uma disputa que promete intensa movimentação até o registro oficial das candidaturas.